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quinta-feira, 30 de abril de 2015

VII Ciclo de Leitura Dramatizada - Nelson Rodrigues







O Teatro Municipal de Niterói, em parceria com a Atacen, dá continuidade, na terça-feira, 28 de abril de 2015, às 19h, à sétima temporada do Ciclo de Leitura Dramatizada, com o texto "Valsa n° 6", de Nelson Rodrigues. Com direção de Leandro da Matta, o texto conta a história de Sônia, uma menina solitária de 15 anos, que luta com seus pensamentos delirantes e suas lembranças, tentando montar o quebra cabeça de suas memórias antes de ser assassinada.

Sônia, em um ambiente estranho, possuída por recordações fragmentárias, fala de seu romance com um homem casado e de sua relação com sua família. Na segunda parte da peça, aprofundam-se os dados psicológicos, elucidando o crime, configurando o cenário que precedeu a morte.

"Valsa nº 6" é uma pequena obra-prima de Nelson Rodrigues. Escrito em 1951, o monólogo coloca em cena uma série de elementos muito frequentes no mundo do autor. Com domínio absoluto da técnica dramática, são superadas aqui as limitações do monólogo, gênero que impõe pesadas e artificiais convenções a quem por ele se aventura. O texto é construído com frases curtas, que não se preocupam em explicar ao espectador o que está acontecendo. Aos poucos, na medida em que Sônia desvenda o mistério que a cerca, o público é informado da verdade.

A peça tem parentesco muito próximo com "Vestido de Noiva". De certa forma, "Valsa n° 6" é uma versão de câmara do clássico drama de Nelson. Assim como Alaíde, Sônia está agonizando. Aquela foi atropelada, esta, assassinada. A diferença básica está em que Alaíde contracena com as personagens de seu delírio, enquanto Sônia apenas as evoca. E materializam-se os pais repressores, a adolescente sensual, o noivo inacessível, o velho médico lúbrico, os vizinhos boateiros e maliciosos. Enfim, mesmo no monólogo, o universo do autor é posto no palco com a complexidade e a riqueza de observação que se encontra em seus grandes textos, como "Boca de Ouro" ou "A Falecida".

segunda-feira, 20 de abril de 2015

SPFW: Vitorino Campos



Quando eu vi o mood board do Vitorino, já sabia que ia gostar do desfile. Ao encontra-lo no camarim, antes da apresentação, ele me contou: “é o encontro de Patti Smith com Robert Mapplethorpe”. Eu, que sou obcecada pelo livro “Apenas Garotos”, que Patti escreveu, fiquei tentando enxergar nas roupas da arada onde estava Robert & Patti e não encontrava…
Às vezes nos apegamos tanto a uma imagem que viramos prisioneiros e buscamos o óbvio. Pois de óbvio não tem nada nessa coleção de Vitorino. Tem a questão do gênero, tão forte neste momento da moda, e super presente no estilo de Patti. A camisa branca é super presente e um dos elementos chave da coleção, junto ao suéter e a t-shirt, que rendem as melhores imagens do desfile.
O tricô rosa cropped já ganhou dona, a modelo Cris Herrmann, uma das musas do estilista, que já usava o seu no dia seguinte ao desfile. A camiseta preta, também cortada, usada por Vanessa Moreira é o look chave da coleção e o mais importante para Vitorino. “É onde me vejo muito. Tem uma simplicidade na t-shirt cortada e uma força ao mesmo tempo”. De fato, é um momento que exala juventude, que pode tanto ser dos anos 70 quanto dos 90. Todas as peças são feitas em algodão e seda, ótimas escolhas para o verão.
Apesar da androginia evidente (o modelo Goan Fragoso desfilou em meio às meninas), há elementos ultrafemininos, como o uso da renda, especialmente a azul, e dos bordados, feito por um estudante da escola francesa Lesage, com nove técnicas de bordado em apenas uma tirinha. O xadrez do vichy também evoca essa delicadeza, evoca infância e inocência. “Essa cartela mais leve foi uma novidade pra mim”, ele conta.
E o que é a bolsa-lancheira? Pensada para o dia-a-dia, ela é térmica e atende também as mulheres que, cada vez mais vezes, optam por levar comida de casa para o trabalho. Aliás, bem atual essa abordagem, já que o mercado do que antes a gente chamava de “tupperware” está cada vez mais sofisticado.
Em seu sétimo desfile no SPFW, Vitorino e seu partner in crime, o stylist Michael Vendola, mostram que estão dispostos a criar novos desafios, evitando cair na mesmice. (CAMILA YAHN)

domingo, 19 de abril de 2015

Filmes Fashions


A clássica música do Duran Duran dá nome e faz a trilha deste vídeo produzido por Inez Van Lamsweerde e Vinoodh Matadin comemorando os 90 anos da "Vogue Paris" e o lançamento do app da revista para iPad. Pura celebração de moda, mostra os bastidores de uma glamourosa superprodução de moda. Flertando com a linguagem dos videoclipes, conta com as modelos Isabeli Fontana, Anja Rubik e Natasha Poly, no casting, e com a editora da revista, Emmanuelle Alt, no styling. Luxo!


O próprio Karl Lagerfeld em si assina este vídeo em parceria com o diretor e fotógrafo Barnaby Roper. O título sugere tanto a nova mistura da moda quanto um remix musical, e o cruzamento entre os universos da moda e da música se confirma nas cenas em que tops como Anja Rubik, Saskia de Braw e Sui He exibem os looks da coleção em looping, enquanto Lagerfeld representa o DJ/criador deste mix.


Com fotografia de Steven Meisel, esta campanha da marca francesa Lanvin virou hit entre fashionistas pela sua despretensiosa ... cara de pau. Ao som de "I know you want me", aquele hit do Pitbull do verão passado (época em que o vídeo foi lançado), as tops Karen Elson, Raquel Zimmermann e dois meninos ensaiam uma divertida coreô para a música _ usando os looks daquela estação. Uma participação ultraespecial de Alber Elbaz, o diretor criativo da Lanvin, coroa o final e reforça um dos principais fundamentos da moda: divertir-se é preciso!


Até as atrizes de Hollywood (quem diria?) têm seus dias de fúria neste divertido e bem-humorado curta, dirigido por John Cameron Mitchell ("Hedwig" e "Shortbus"). Aqui, Marion Cotillard vive uma diva do cinema em crise com a nada fácil vida de estrela. Entre limusines, champanhe, cabeleireiros e stylist tagarelas, a protagonista resolve, literalmente, jogar tudo para o alto.



Fã do uso do vídeo como ferramenta de moda, o inglês parceiro de Melissa usa o formato para apresentar ao público sua coleção do inverno 2009. Com vocação conceitual, drama, geometria, volumes e PB dão o tom aqui, revelando o universo criativo do estilista.


Gravado na sala dos espelhos, no Palácio de Versailles, e dirigido pela badalada dupla de fotógrafos Inez van Lamsweerde e Vinoodh Matadin, este vídeo foi visto mais de 6 milhões de vezes no Youtube. O cenário de tirar o fôlego, o casting belíssimo, em roupas luxuosas e a trilha ao som da clássica "Enjoy the silence", do Depeche Mode, formam um conjunto inspirador - e verdadeiramente histórico.


Rússia, Muralha da China, Taj Mahal, Grand Palais, Museu do Louvre, cavalos, um dragão chinês e , claro, a pantera (ícone da marca) surgem nessa superprodução de pegada épica que marcou os 163 anos da joalheria Cartier. Dirigido pelo premiado multiartista francês Bruno Aveillan, o filme levou dois anos para ficar pronto, foi exibido em TV aberta, em cinemas e arrematou mais de 16 milhões de views no youtube.


Marca mais jovem comandada por Miuccia Prada, a Miu Miu lançou um projeto de cinema para chamar de seu, o "women´s tales" (algo como "Fábulas de Mulheres"), em que convida diferentes diretoras de cinema para interpretar o universo da marca sob uma ótica feminina. Neste primeiro filme da série _ gravado no tradicional hotel Claridge´s, em Londres _ , a norte -americana Zoe Cassavetes lança um olhar intimista sobre um universo de beleza, luxo e feminilidade.


Prova de que boas idéias não precisam de superproduções, este vídeo entretém ao mesmo tempo em que apresenta a cartela de cores dos desejados esmaltes Chanel. Com uma elaborada coreografia de mãos e dedinhos de unhas muito bem feitinhas, simula um "A Chorus Line" damarca, meio cabaré, em que as "dançarinas" executam um cancan e balançam sobre colares de pérolas, um ícone da grife. Superfofo, supercool!


SPFW: Amapô



A sala de desfile estava lotadíssima para o desfile da Amapô. Já é uma cena normal aqui no SPFW. Carô Gold e Pitty Taliano são as rainhas do hi-energy: sempre mostram coleções divertidas, vibrantes, originais, irônicas e bem-humoradas. Só o grupo de referências já dava a pista: como misturar Barbarella, Miami, ginástica aeróbica e David Bowie. Ah, e na trilha, alguns hits da preparada Anitta. Só mesmo na Amapô a gente vê tudo junto e bagunçado, mas de uma forma muita característica delas.
O foco é o jeanswear, com ótimos momentos em neon. Como sempre, cor é um elemento importante nas coleções da Amapô e aqui a marca trabalha muito com o neon, que aparece em peças como jaquetas, ou em vários tons misturados na estampa 80’s de raios. Há sempre os “looks statement”, como as jaquetas recortadíssimas e com correntes, muito boas. Ótimas peças em moletom e sarja e biquínis e maiôs para parar a praia e a noitada. Mesmo com o tom de deboche, a coleção tem seu glamour e é sexy em alta voltagem.
A proposta é quase unissex para os meninos, com muito cor-de-rosa, jaquetas e shorts curtos, com peças usáveis e que ao mesmo tempo saem do lugar comum para o guarda-roupa masculino.
É caótico, fun, totalmente – deliciosamente – Amapô, sempre com novas ideias de roupas para o dia-a-dia. É sobre conforto, acesso, diversão com amigos, juventude e bafo. Conversas de corredor dizem que a trilha é um recadinho para quem insiste em imitar algumas peças da marca. Isso deveria, na verdade, soar como um elogio ao trabalho da dupla, que tem conseguido manter-se no caminho certo e está melhor e mais afinada a cada temporada. #showdaspoderosas

SPFW: Wagner Kallieno



Wagner Kallieno pegou da cartela de cores dos quadros de Joan Miró os tons de sua coleção para o verão 2016, inspirada no artista surrealista espanhol. As combinações de laranja, salmão e verde menta ou laranja e lilás, tudo queimado, foram acompanhadas de recortes geométricos e assimetrias nas saias e vestidos que também remetiam ao trabalho de Miró, lembrando o recurso de diferenças de altura em seus móbiles ou as figuras de suas pinturas.
Intercalada à parte colorida, o estilista apresentou uma boa série de vestidos tipo chemise brancos, que seguiam o mesmo raciocínio de assimetrias do resto dos looks. Novidade para a marca, os jeans aparecem em looks totais com franjas na barra, como o vestido usado por Daiane Conterato, e na calça flare de cintura alta, numa referência aos anos 70, década que pontua o verão da grife com outros modelos flaire e o perfume boho das franjas e dos tops leves e assimétricos. (CAROLINA VASONE)

SPFW: Glória Coelho



A cura por meio das roupas. A ideia de Gloria Coelho é vender, junto com sua moda, energias positivas. Por isso, decidiu imprimir palavras inspiradoras como “amor”, “luz” e “proteção” nos forros de suas peças e em camisetas usadas com sobreposições. A tipografia vem de obras de arte gráficas e dialoga com o grafismo de seu verão 2016, que mescla referências esportivas a alfaiataria e romance.
O material de ordem é o vinil, que aparece nos melhores looks da coleção. São os vestidos com tiras de vinil, couro e tricô feitos diretamente no corpo da modelo pela própria estilista e que fazem um movimento que acaba num volume, remetendo às ondas do mar que levam ao surf, um dos esportes eleitos por Gloria neste verão. Ele também aparece nos macacões de neoprene com barras e golas de vinil, justinhos. Já a fórmula 1, outra inspiração da designer, surge no vestido preto de vinil com tiras aplicadas espaçadamente na base de tule, que remetem às pistas de corrida e à velocidade. Tudo está há anos luz da literalidade, e serve mais como ponto de partida criativo do que como característica a ser rapidamente identificável na coleção. Referência mais evidente, os anos 60 emprestam o vinil, a ideia do futurismo retrô dos looks prateados em couro e o shape em A dos minivestidos.
As tiras de vários materiais aplicadas sobre o tule transparente, dialogando com as faixas de couro nos blazers e calças dão o mood gráfico geométrico do verão da grife, inclusive no vestido de noiva criado especialmente para Ísis Valverde fechar o desfile.
A partir de agora, ainda, Gloria Coelho passa a assinar sua marca apenas com a imagem da silhueta de um coelho, seu novo logo. (CAROLINA VASONE)

SPFW: Apartamento 03



Um luxo impecavelmente zen. Em uma frase, assim é a coleção do verão 2016 da Apartamento 03, do estilista Luiz Claudio. Em sua segunda participação no São Paulo Fashion Week, o mineiro mostrou a que veio: oferecer roupas com acabamento primoroso, tecidos importantes e design afiado para criar uma imagem de moda ao mesmo tempo clean e cheia de detalhes complexos.
A pesquisa sobre a liturgia de várias religiões – tema que, segundo o estilista, sempre o interessou – foi a referência usada nesta coleção. Em busca da espiritualidade, Luiz Claudio chegou ao preto e branco para inspirar paz, reflexão, renovação e introspecção. A seda, principal tecido das roupas, aparece em babados sobrepostos geométricos, em sobreposições de túnicas levíssimas com casacos que fazem alusão ao paletó de smoking, nas camisas frescas. As amarrações, com efeito entre laço e nó, na cintura das calças ou no meio dos vestidos, surgiu a partir de muitas das roupas religiosas, que têm essa característica. “Essa região do ventre é muito delicada, é uma parte do corpo que pede proteção. Minha ideia é que essas amarrações abraçassem a pessoa”, conta o designer.
A alfaiataria é base para boa parte da coleção, recheada ainda de túnicas em diversas versões, bordados minúsculos e brilhantes nos vestidos para a noite. Entre os looks preferidos do estilista, um se destaca: a t-shirt de penas de pato, feita artesanalmente (como todos os bordados das peças). “Sempre quis trabalhar com plumas e essa foi a primeira vez. Deu o maior trabalho, mas adorei.” Amém. (CAROLINA VASONE)

SPFW: Fause Haten



“Hoje a grande celebridade é a cliente. Houve um tempo em que a estrela era o estilista. Agora é a blogueira, que no final representa a cliente. Por isso quis fazer uma apresentação mais real, não com uma modelo jovem, mas com alguém que veste minhas roupas há anos”, conta Fause Haten, sobre a performance no seu ateliê-loja em Pinheiros (SP), que mostrou seu verão 2016 no corpo de Flávia Shayoun, cliente antiga do estilista.
O raciocínio do designer acompanha o fenômeno das blogueiras de moda e beleza, pessoas comuns que, com seu carisma, conquistaram uma grande audiência e viraram protagonistas no mundo da moda. É o estilo e a beleza dessas mulheres reais, com quem ele convive no dia a dia nas provas de roupa no seu ateliê, portanto, que ele quis prestigiar. Não à toa, a trilha sonora que antecedia a apresentação – Fause recepcionava os convidados fazendo o acabamento de um vestido numa máquina de costura – era uma gravação de conversas entre cliente e estilista durante uma prova de roupa.
No palco/passarela, a platéia podia acompanhar Flavia sendo aprontada por Fause e maquiada por Ricardo dos Anjos para, depois, ouvir a descrição de cada roupa, realizada pelo estilista nos moldes dos desfiles de moda de antigamente. Entre os 14 looks da coleção, os vestidos de festa bordados com micropedaços de seda, canutilhos e cristais se alternavam com as peças de moletom mais casuais que abriram a apresentação, com shape de alfaiataria, estampa desenhada por Fause e pontos de luz em detalhes bordados com cristais. A cada troca de roupa, os fashionistas observavam impressionados a beleza daquela mulher de mais de 50 anos, totalmente adequada a todas as criações que vestia. Enfim, não é preciso ser eternamente jovem e magra para estar na moda. Uma bela homenagem de Fause Haten a todos nós. Pessoas comuns, mas nem tanto. (CAROLINA VASONE)

SPFW: Samuel Cirnansck




Lustres gigantes reproduziam um cenário clássico do cinema mundial: o salão de baile do hotel do filme “O Iluminado” (1980), de Stanley Kubrick. A referência vem da festa fantasma que o personagem de Jack Nicholson vê numa das cenas, e que teria acontecido nos anos 20, época na qual o estilista se inspira para criar sua coleção do verão 2016 e comemorativa de seus 15 anos de carreira.
Especialista em criar vestidos de divas, é a série que cumpre o prometido numa versão mais realista o grande destaque da coleção. Ela se concentra na primeira parte do desfile, com os melhores e mais sexy vestidos pretos, colados no corpo, delineando a silhueta, um com detalhe de lapela de smoking, outro com franjas de canutilhos presas e recortes com anquinhas de corset. O tubinho pretinho básico em jacquard também funciona muito bem, assim como o vestido todo bordado preto e verde com transparência, mídi e perto do corpo. (CAROLINA VASONE)

SPFW: Iódice



Vida longa a Simone Nunes no estilo da Iódice. Parte da ótima safra de designers descobertos no Hot Spot em meados da primeira década dos anos 2000 – da mesma época da Neon e da Amapô –, a estilista foi aposta certeira de Waldemar Iódice, que assina com ela a coleção de passarela da marca.
Em sua segunda temporada na marca, Simone imprime sua personalidade com delicadeza. Esta é, aliás, a marca-registrada de seu trabalho. Assim, a leitura que a dupla fez do Nordeste, embalada ao som de Caetano Veloso, mostrou um verão 2016 suave nas cores puxadas para tons terrosos, do rosa antigo ao amarelo queimado (dendê), o verde e o tijolo, com estampas que remetiam aos florais de chita numa versão esmaecida, com sacadas de design apuradas como os tops com amarrações no peito, remetendo às amarrações de lenços usados na cabeça para carregar água ou pelas baianas típicas, no detalhe da manga do casaco com estampa floral rosa claro e verde, na bela pantalona de linho rústico e cintura alta, com amarração.
A série de camisas florais com leve transparência merece destaque, assim como as saias de tecido rústico e os vestidos de renda com forro prateado. (CAROLINA VASONE)

SPFW: Têca por Helô Rocha



Para comemorar seus 10 anos de vida, a Têca mostra que está mais forte do que nunca. Helô Rocha apresentou uma coleção impacto. É uma daquelas coleções que não ficam no meio do caminho. À começar pela inspiração poderosa que aborda o universo dos orixás e do candomblé.
Em vez de editar o desfile de forma crescente, ela faz o oposto e já inicia com força na série de vestidos fluídos em preto e vermelho de renda, babados e bordados.
Ao longo da apresentação, looks básicos misturavam-se a momentos mais carregados com franjas, pedrarias, conchas, pérolas, rendas, bordados, às vezes tudo em um mesmo look. E a sensação é a de que não poderia ser diferente. Helô e o stylist Dani Ueda criam imagens fortes, poderosas e sensuais. Sabe uma mulher que a gente evita olhar no olho? Que encanta e amedronta ao mesmo tempo? Haviam algumas delas no desfile.
A renda branca, tão característica da Bahia, aparece lindamente em vestidos fluídos e leves, dividindo espaço com outros materiais, como nos últimos quatro looks, que fecham o desfile.
Recentemente, Helô mudou radicalmente a cor de seu cabelo, outro gesto que revela coragem e ousadia. Como qualquer profissional, ela não quer passar batido. O ponto é o quanto consegue impactar e manter a chama acesa em meio a outros 39 desfiles e centenas de outras distrações. Helô enfiou os dois pés na porta. Que venham os próximos 10 anos para a Têca. (CAMILA YAHN) #girlpower #blondeambition

SPFW: GIG Couture



Quando o tricô ganha design de moda, a técnica é elevada a um patamar fashion irresistível. Vira um misto de experiência tátil de textura com o shape que tem conforto e ao mesmo tempo caimento com desenho contemporâneo e sacadas de estilo. Este é o caso do verão 2016 da GIG. A estilista Gina Guerra foi buscar nos tons pastel das pinturas e na arquitetura art noveau de Mackintosh, respectivamente, a cartela de cores e as estampas, que incluem efeito tridimensional graças aos volumes criados no próprio jacquard feito no tricô.
Os anos 50 aparecem em vestidos em tom de azul e rosa bebê e no verde clarinho, com cintura marca e saia godê na canela, atualizados pelo aspecto moderno de textura do tricô. No restante do verão, a referência são os anos 60. Destaque para engenhosas sobressaias que fazem as vezes de cauda de vestidos mais ajustados, como o rosa bebê com manga curta triangular que abre o desfile. A manga triangular, curta ou um pouco mais proeminente, tipo sino, também aparece bastante na coleção da grife. Os conjuntos de pantalonas curtas com top combinando aparecem tanto em versões de tons suaves como em cores mais fortes, como o verde menta com o marrom. A alternância entre a fase pastel e a de tons marcantes também garante um interessante equilíbrio à coleção, que oferece romantismo do mais açucarado ao geométrico, graças tanto às estampas quanto ao shape triangular dos tops e recortado das barras das saias. (CAROLINA VASONE)

SPFW: Lenny Niemeyer



Lenny Niemeyer desfilou neste SPFW após muitos anos mostrando no Rio. Ela sempre foi a rainha do lifestyle carioca, apesar de suas peças serem usadas Brasil afora – ou porque não, mundo afora.
Nesta estação, notamos um aumento no número de roupas em relação ao número de biquínis (7) e maiôs (14). Lenny é conhecida pela modelagem impecável e novidadeira do beachwear, mas suas “saídas” de praia também fazem sucesso e ganham as ruas das cidades.
Seu segredo está justamente em transpor tão bem o lifestyle da praia em suas roupas, que nós temos vontade de usa-las também quando estamos longe do mar e Lenny torna isso totalmente possível. A sensação “easy breezy” e o conforto somam-se a modelagem, a inovação e a design.
Tanto que outros estilistas de primeiro time estavam na primeira fila: Reinaldo Lourenço e Lino Villaventura olhavam atentamente as criações de Lenny.
Nesta estação, ela olha para os clássicos bailes de carnaval, com sua inocência e seu glamour. O desfile é dividido em cinco momentos: Marinheiro, com listras branco e marinho e referências às redes; Malandro, em que aparece a alfaiataria; Pierrô, com as peças mais usáveis – e desejáveis – da coleção (lindas batas de algodão texturizado); Carmen, em versão preto e branco com alguns detalhes de flores e um bom trabalho com babados plissados; e por fim, chega a quarta-feira de Cinzas, com texturas que remetem ao Carnaval, como serpentina, que vemos nos looks de “penas” cortadas a laser e na organza com tiras de paetê floral. Contemporâneo e de gosto refinadíssimo, assim como a estilista.
Abram alas para o Bloco de Lenny. (CAMILA YAHN)

SPFW: Patricia Viera



É sempre impressionante ver como Patricia Viera consegue transformar o couro no material que ela quiser. Muitas vezes é preciso tocar na peça para descobrir que não se trata de algodão ou linho, por exemplo, caso do vestido floral que abriu o desfile, leve, todo pintado à mão por Kláucia Badaró com flores vermelhas e toques de azul e verde no fundo branco. A artista assinou todas as estampas artesanais do verão 2016 de Patricia, inspirado na Costa Rica.
Graças à técnica de metamorfose do couro, o mood veranil central-americano pôde ser traduzido com frescor numa coleção que trouxe as paisagens do país no conjunto de saia godê e top cropped de fundo branco, as flores em tom quente da primeira série da apresentação, os tons terrosos naturais e os mosaicos locais representados por aplicações de espelhos ora em formato de flor, como no vestido vermelho mídi justo de alça, ora em pequenas bolinhas, caso do vestido amarelo queimado de alça, cintura marcada e saia evasê na altura da canela.
Nesta estação, a estilista traz ainda duas novidades: o lançamento de bodies recortados a laser, com franjas e efeito macramê e a estreia de uma coleção-cápsula infantil para meninas de 1 a 6 anos. Tudo feito em couro também, claro. (CAROLINA VASONE)

SPFW: Lino Villaventura



Lino Villaventura está de volta e os fashionistas que acham a vida mais divertida com uma boa dose de drama e fantasia agradecem. Depois de duas temporadas mais contida, a veia performática teatral do estilista volta a pulsar, justamente no ano de comemoração de duas décadas de São Paulo Fashion Week. Para celebrar tantos desfiles no evento, Lino acrescentou ao seu verão 2016 vestidos e acessórios marcantes de coleções passadas, a começar pelo look que abre o show, do verão de 1997, usado por Marina Dias naquela época e nesta quinta, com direito a olho branco de lentes de contato e caminhar performático.
Com teto altíssimo e uma escadaria gigante que os modelos desciam para entrar na passarela, o Museu Afro Brasil serviu com perfeição como cenário para a teatralidade das roupas e atitude da marca. “É um jogo de cena”, resume o estilista, que diz não se inspirar em nada em especial para este verão. “Vou fazendo o que gosto.” Mesclada a acessórios como sapatos masculinos do desfile de 1996 e a impressionante cabeça feita com uma cobra naja de verdade, bordada com cristais e com o corpo descendo pelas costas da modelo (apresentação de 2005), a coleção  reafirma a personalidade excêntrica sedutora da moda de Lino. As nervuras, os bordados, o caimento assimétrico com bicos e a fluidez remetem ao exotismo de culturas distantes, desconhecidas, talvez até fictícias, como numa fábula estranhamente magnética. À dramaticidade da imagem e da performance é agregado o know how artesanal e técnico do designer, com peças muito bem acabadas, bordados delicados como os filigranas de cristais, os devorês nas gazes e as aplicações sobre o tule de seda. Destaque para a trilha sonora de Felipe Venâncio, que deu o clima de viagem exótica e misteriosa à apresentação, com atrações que incluíram atores na passarela, como Reynaldo Gianecchini, cobras empalhadas e modelos de olhos vermelhos e brancos. (CAROLINA VASONE)

SPFW: Giuliana Romanno



Aos poucos as pessoas estão se dando conta de como o tempo está se movendo freneticamente e o impacto disso no nosso dia-a-dia. A coleção de Giuliana parte daí, da sensação de vida louca e necessidade de refúgio. Ela olhou então pra Bahia, lugar onde descansa, para buscar serenidade.
No mood board no camarim, diversas imagens de Caetano, Bethânia, que transmitem aquela tranquilidade e malemolência baianas. Muitos tons de azul são a primeira informação de uma atmosfera relax. Logo percebemos a alfaiataria mais solta e descontraída, em seda e linho. As formas são características do trabalho de Giuliana, com cinturas elevadas, recortes e muitas fendas. Apesar da leveza e da roupa mais solta, tudo parece milimetricamente pensado.
A cartela é composta de poucos tons; azul, branco e um amarelo que ilumina são suficientes para compor a coleção. O azul que parece jeans, na verdade é seda tingida. Outras peças também são do grupo “parece, mas não é”, como o blazer colete, a saia calça, saia shorts e o blazer poncho.
É uma coleção sofisticada, contemporânea e que mostra a evolução da estilista dentro de sua própria estética. Vale um destaque para os cabelos das modelos, que traduziam todo esse frescor de férias de verão sem o aspecto ressecado do sal marinho. No desfile, no quarto andar do Tomie Ohtake, as modelos apareciam no horizonte, na luz natural, com aqueles cabelos ao vento e as roupas calmas, parecia uma cena em câmera lenta. Que venha o verão!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

SPFW: Collci





O assunto da noite era Gisele. Depois de mais de uma dezena de desfiles pela Colcci e 20 anos de carreira, a top model anunciou sua aposentadoria oficial das passarelas. Comoção geral, transmissão ao vivo do desfile no fim do Jornal Nacional, aglomeração na entrada da sala de desfiles digna de shows de estrelas do rock. O gênero musical, aliás, foi o tema anunciado para o Verão 2016 da grife. Sai Gisele, ficam as roupas da marca, vendidas em centenas de pontos de venda pelo País. Vamos a elas.
Além da referência roqueira suavizada para o calor e batizada de “Flower Punk”, um mix de shapes e propostas temáticas compôs a coleção da marca. As bermudas de cintura alta, ora em jeans azul mais claro, ora em jacquard encorpado, são boas opções para o verão. Em versão mais curta, ora sugeriam romantismo ao estilo 70 como no look com shortinho e bata floral pb com renda vazada tipo baby-doll, ora, no look seguinte, apontavam para uma garota supercool que faz mix de estampas com o short xadrez amarelo e preto combinado com a parka de poás em pb e camisa cropped quadriculada. Na modelagem também houve alternância entre os looks estruturados, caso do macacão de bermuda vermelho, preto e acinzentado com desenho gráfico e mangas curtas tipo sino com print pixelado e os leves e soltos, com rendas transparentes em vestidos como o branco com o qual Gisele abriu o desfile e o preto mídi de manga curta usado por Aline Weber.
Na coleção masculina, bem representada por Sean O’Pry, o modelo número 1 do mundo, alfaiataria e humor fizeram casamento com final feliz com o uso do xadrez tartan com print de oncinha em calças e blazers ajustados. No fim da apresentação, uma despedida acalorada com modelos veteranas como Fernanda Tavares, Ana Claudia Michels e Carol Ribeiro entrando na passarela de jeans e camisetas em homenagem à top. (CAROLINA VASONE)

SPFW: João Pimenta



“Passei tanto tempo me apropriando dos elementos da roupa feminina para inserí-las na masculina para agora perceber que o que eu quero é retirar o caráter tanto do feminino quanto do masculino da minha moda”, me contou João Pimenta num encontro há cerca de um mês. E é essa a nova fase do estilista: a de romper a barreira dos gêneros. Um raciocínio quase natural levando em conta a trajetória do designer, que faz um exercício incansável de cruzamento de repertórios do guarda-roupa para homens e mulheres.
Se depender do verão 2016 do estilista, o closet de meninos e meninas será compartilhado. Faz todo sentido ao ver looks como o colete de alfaiataria longo, peça must-have da temporada, desfilada em tantas marcas femininas neste SPFW. Ou a calça curta mais ajustada. Os jacquards de renda e as túnicas tipo paletó também convidam a serem experimentados pelos dois sexos. Em outros casos, como os dos costumes mais amplos, a proposta fica um pouco mais radical. Trata-se, afinal, do início de uma nova maneira de lidar com roupas totalmente conectada com o que há de mais contemporâneo na moda e no comportamento, o passo seguinte à tendência do toque masculino no prêt-à-porter feminino. To be continued! (CAROLINA VASONE)




SPFW: Lolitta



O tricô de luxo da Lolitta entra em nova fase. Pensando numa cliente que cresceu e amadureceu junto com a marca criada há oito anos (em 2008), a estilista experimenta novos shapes e texturas, sem deixar de lado o DNA superfeminino da marca.
À conhecida silhueta alongada e ajustada dos vestidos da grife foram acrescentados modelos não tão próximos ao corpo, caso do longo branco de babados do início do desfile e da saia godê floral na canela, usada com top justinho de caramelo. No mood cinquentinha – novidade na marca -, o vestido de laise verde no fundo preto com recortes de vivos encerra a adorável série verde da coleção, que inclui conjunto de saia e blusa com mix de estampas florais e outro vestido com shape bem 50’s.
A partir do tricô, a grife consegue efeitos de tressê, renda, tricô de couro, garantindo um mix de texturas que enriquece a roupa.

SPFW: Ronaldo Fraga



Passe um dia inteiro observando mulheres cuja proporção de magreza e altura, viço da pele e brilho do cabelo faz com que pareçam de outra espécie do gênero feminino – provavelmente não a sua -, e a sensação de inadequação estética acaba por aparecer. E isso não acontece apenas numa semana de moda; a vida de uma mulher é cercada por um padrão de beleza que ela nunca alcançará, e que em intensidades diferentes a deixará mais ou menos frustrada, dependendo de uma equação de momento de vida, auto-estima, capacidade de reflexão, meio em que vive, etc. Pois ao sentarem na sala de desfiles por volta das quatro e meia da tarde de uma quarta-feira, as mulheres convidadas da apresentação de Ronaldo Fraga olharam para frente e respiraram aliviadas: ali, o tipo de beleza delas estava sendo celebrado.
Com o busto à mostra, 35 amigas ou amigas de amigos do estilista, velhas e jovens, de diferentes profissões, encarnavam as sereias tema da coleção e também nome – sugerido pelo próprio Ronaldo – do projeto com artesãs da Paraíba que criam acessórios a partir de escamas de peixe, capacitadas pelo estilistas para agregarem design ao expertise. As Sereias da Penha assinam os lindos colares desfilados. “Têm efeito de madrepérola”, conta o estilista, que as orientou a não tingir o material, que também aparece bordado em vários dos looks.
Com caudas de tecido tom de pele, sentadas em pneus sobre um mar de plástico bolha, espelho na mão voltado para a plateia, as sereias democratizavam a beleza sem regras e chamavam a atenção para a poluição ambiental. Dessa preocupação de Ronaldo nasceu um dos tecidos da coleção, um fio biodegradável decomposto em poucos anos quando descartado e desenvolvido pela Santaconstancia, com um aspecto que lembra uma viscose, usado nos looks coloridos. O jacquard de esqueletos de sereias, a estampa de oferendas feita por Leo Santana a partir de uma foto tirada em Olinda, as estampas de peixes e corais, as sedas e os tricôs compunham uma gama rica de tecidos. Além do discurso, Ronaldo trouxe luxo à passarela.
O glamour da coleção aparece nas transparências dos vestidos nude inteiros bordados de paetês de escamas e perolinhas, nas saias com camadas de babados que remetiam às ondas do mar, nas assimetrias que reinterpretavam a cauda da sereia. Um verão com sensualidade evidente sem ser banal, com corpo delineado, cintura marcada, decotes profundos. “É uma coleção de texturas, sobreposições e transparências”, resume.
Merece destaque o vestido caramelo longo com efeito sanfonado, feito a partir da mistura de um fio de poliamida usado dentro da borracha de pneus e que dá um volume ao mesmo tempo firme e maleável. “Essa série simboliza o cabelo da sereia.” Ainda, os crochês metalizados e no azul profundo, com aspecto rústico, feitos com linha de pesca e tiras do tecido biodegradável, com um lindo resultado. (CAROLINA VASONE)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

SPFW: Alexandre Herchcovitch



Uma das tradições do Japão que pouco conhecemos é a das “mulheres do mar” ou as pescadoras de pérolas. Elas eram especialistas em descer até 9 mil metros mar gelado abaixo usando apenas um “fundoshi” (tapa sexo), que deixava seu corpo mais livre. De peito aberto, saíam em busca de pérolas, segurando a respiração através de técnicas especiais. Quem de fato voltava com uma pérola, ganhava um bonus.
Essa imagem parece incrível o suficiente para inspirar Alexandre Herchcovitch, com sua gama de elementos que cercam a simbologia feminina: a força, a coragem, o seio, a calma, a garra, o sacrifício. Mas para ele, em termos visuais, parecia pouco. “É um tema forte, mas como não envolve roupa, fica pobre em termos de imagem”, ele contou momentos antes do desfile.
Mostrando as peças que melhor traduzia todos os momentos da coleção, ele diz que foi atrás de outros temas que cercavam sua primeira referência. E então vieram a alfaiataria oriental e o mar, com suas ondas e espumas, vestidos que lembram maiôs, texturas que lembram algas, a figura da sereia. O mar está rendendo boas histórias nesta temporada e a de Alexandre é como a gente espera, incomum, com um toque de inusitado. No look 11, o floral lembra os desenhos que enfeitavam as calcinhas de algumas mergulhadoras.
O desfile começa com Daiane em um casaco de linho e algodão e shape quadrado e evolui a partir daí para técnicas hiper elaboradas, como os babados que aparecem dentro e fora de alguns looks. No vestido preto (foto 14), ele começa pequeno, com 1 cm, e vai crescendo. Há maneiras de trabalhar o babado que o torna desgastado, em um efeito espuma do mar. Esse trabalho também é visto no látex, material que Herchcovitch domina bem e que faz parte de seus momentos de moda mais icônicos.
Para chegar a esse resultado, muitos testes são feitos antes e metros de tecido são usados. A proporção é: 5 metros vira 1 metro de babado. Vale destacar o vestido de Drielly, pura delicadeza.
Após vermos uma aula de modelagem precisa, vem o desbunde final, com quatro vestidos de crepe de chine e chiffon de seda nas mais lindas variações de azul. “É uma coleção feminina e forte”, comenta o estilista. Muitos bônus para as pescadoras de Alexandre. (CAMILA YAHN)

SPFW: Animale



Mais uma vez a Animale apresenta seu olhar rejuvenescido de um guarda-roupa para a mulher contemporânea. O trio Vitorino + Beth + Claudia, ao que parece, tem conseguido trabalhar em equilíbrio, cada um respeitando os inputs do outro. Claudia, a dona, tem que se certificar de que a marca mantenha-se no caminho certo para não perder suas clientes fiéis e, sim, ganhar cada vez mais. Beth cuida para que os elementos caros à marca não se percam, e Vitorino é a novidade, o olhar fresco que tem trazido uma energia mais jovem e uma silhueta mais contemporânea.
O desfile é uma elaborada mistura entre o glamour da sociedade, formada por estrelas e intelectuais entre os anos 20 e 60 com referências ao sportswear fino que vem do tênis. Como sempre, há um estudo firme de matérias primas e formas. “São mulheres elegantes em malhas esportivas”, define Vitorino pouco antes do desfile. Algodões de piquet são dublados e entretelados, ráfias são esmaltadas, lãs de verão aparecem bem leves e, entre as peças que mais chamam a atenção estão os looks coloridos e bordados de uma forme que consomem 20 mil pontos por metro quadrado. Esse é o nível de zelo e pesquisa das coleções da Animale. Nobreza e esporte, noite e balneário, preto e branco, geometria e certa fluidez. É no equilíbrio entre opostos que está a força da coleção. E se algumas peças de passarela não são lá tão simples de vestir, aguardemos a coleção comercial com sua alfaiataria contemporânea, mais minimalista e de viés sexy, mas um novo sexy que está fazendo muito bem à Animale. (CAMILA YAHN)

SPFW: Uma Raquel Davidowicz



“It’s a new day/And I’m feeling good.” Nina Simone solta a voz e o dia começa na passarela da UMA. Claro, iluminado pelos looks totais brancos com as listras finas de um risca de giz espaçado. É fresco,  é veranil, é feminino. É uma alfaiataria esvoaçante. Coletes longos usados como capas, calças retas acompanhadas de tops tomara-que-caia, vestidos tipo chemise longos com fendas vertiginosas: no verão 2016 da marca os dois extremos do guarda-roupa masculino e feminino se encontram harmonicamente.
Com peças de tecidos naturais como o algodão, o linho e a seda, tudo parece confortável e fácil de vestir, mesmo quando os exercícios de modelagem usuais da UMA surgem na calça com avental por cima, nas assimetrias de barras de saias e vestidos. Na cartela de cores, apenas branco, preto e cinza, geralmente usados separados, com algumas exceções como a estampa de respingos de tinta preta no branco, feita manualmente.
A ideia é andrógina, mas não unissex. Até por isso, a marca relança sua linha exclusiva masculina nesta edição. No desfile são apenas quatro modelos, que na loja se transformarão, a partir de setembro, numa coleção pocket com peças-chave para os homens. (CAROLINA VASONE)

SPFW: TNG



Eles são jovens, lindos, felizes e despretensiosos. Vivem eternas férias na Califórnia, em Maresias, ou mesmo no Havaí, cenário do filme “Blue Hawaii”, de 1961, que inspirou o estilista Enrico Paschoal a criar o verão 2016 da TNG. Vêm daí a estampa floral havaiana que se repete em três diferentes combinações de cores, o tom de areia de uma das séries do desfile com saias, bermudas e calças de sarja com barra sem acabamento, e a referência aos anos 50 e 60 nos shapes. “Usamos bustiês de praia, um estilo pin-up para as meninas, com hot pant e cintura alta. Para os meninos há uma inspiração militar que pegamos dos looks do Elvis no filme”, conta Enrico, lembrando que Elvis interpreta um ex-soldado na produção.
Em meio aos garotos e garotas, quatro veteranos de passarela que parecem ter bebido, se não da fonte da juventude, da beleza eterna, abriram e fecharam o desfile: Shirley Mallmann, exclusiva da TNG, Giane Albertoni, Mariana Weickert e Paulo Zulu. Encarnaram os mesmos personagens da coleção numa versão mais “diva” no caso das mulheres.
Com predominância do azul, do branco e do tom de areia, pontuada em alguns momentos pelo pink e pelo amarelo, a coleção traz o mix do jeans, carro-chefe da TNG – desbotado e desgastado, com print floral desta vez – com tecidos leves e naturais como o algodão, o linho e a seda. A palha trançada aparece nos ótimos sapatos. A camisaria, mais presente na linha masculina, também surge no feminino, em versões sem manga na maior parte das vezes, usadas com shorts e saias godês. (CAROLINA VASONE)

SPFW: PatBo



Foi uma explosão de flores e shapes sessentinhas. Num clima túnel do tempo, a PatBo apostou na silhueta trapézio dos minivestidos, que ora apareciam superbordados com divertidas flores multicoloridas, ora surgiam bicolores ou tricolores com recortes geométricos no couro, numa parceria com a estilista Patricia Viera. Também bordados, os acessórios revelaram mais parcerias: os sapatos são de Luiza Barcelos e as charmosas bolsas de acrílico transparente, de Claudia Arbex.
Confeccionadas em acrílico de vários tamanhos e bordadas nos vestidos, as flores ganharam volume tridimensional e pareciam saltar para fora da roupa, objetivo da estilista Patricia Bonaldi. Além dos modelos curtos, os longos de festa também pontuaram a coleção, desta vez com saias volumosas e cintura marcada no lugar. Em preto e branco, o floral virou estampa em looks como o vestido longo sem manga e o conjunto de calça e bustiê, todos de tafetá. Com boa cartela de cores composta de nude, azul vivo, laranja e verde, a coleção ganha quando flerta com o esporte nos recortes dos tops sem manga e no desenho que remete aos bolsos cangurus, com destaque para o vestido laranja bordado de flores azuis. (CAROLINA VASONE)