Loja Virtual Moda e Styles
quarta-feira, 6 de maio de 2015
quinta-feira, 30 de abril de 2015
VII Ciclo de Leitura Dramatizada - Nelson Rodrigues
O
Teatro Municipal de Niterói, em parceria com a Atacen, dá continuidade,
na terça-feira, 28 de abril de 2015, às 19h, à sétima temporada do
Ciclo de Leitura Dramatizada, com o texto "Valsa n° 6", de Nelson
Rodrigues. Com direção de Leandro da Matta, o texto conta a história de
Sônia, uma menina solitária de 15 anos, que luta com seus pensamentos
delirantes e suas lembranças, tentando montar o quebra cabeça de suas
memórias antes de ser assassinada.
Sônia, em um ambiente estranho, possuída por recordações fragmentárias, fala de seu romance com um homem casado e de sua relação com sua família. Na segunda parte da peça, aprofundam-se os dados psicológicos, elucidando o crime, configurando o cenário que precedeu a morte.
"Valsa nº 6" é uma pequena obra-prima de Nelson Rodrigues. Escrito em 1951, o monólogo coloca em cena uma série de elementos muito frequentes no mundo do autor. Com domínio absoluto da técnica dramática, são superadas aqui as limitações do monólogo, gênero que impõe pesadas e artificiais convenções a quem por ele se aventura. O texto é construído com frases curtas, que não se preocupam em explicar ao espectador o que está acontecendo. Aos poucos, na medida em que Sônia desvenda o mistério que a cerca, o público é informado da verdade.
A peça tem parentesco muito próximo com "Vestido de Noiva". De certa forma, "Valsa n° 6" é uma versão de câmara do clássico drama de Nelson. Assim como Alaíde, Sônia está agonizando. Aquela foi atropelada, esta, assassinada. A diferença básica está em que Alaíde contracena com as personagens de seu delírio, enquanto Sônia apenas as evoca. E materializam-se os pais repressores, a adolescente sensual, o noivo inacessível, o velho médico lúbrico, os vizinhos boateiros e maliciosos. Enfim, mesmo no monólogo, o universo do autor é posto no palco com a complexidade e a riqueza de observação que se encontra em seus grandes textos, como "Boca de Ouro" ou "A Falecida".
Sônia, em um ambiente estranho, possuída por recordações fragmentárias, fala de seu romance com um homem casado e de sua relação com sua família. Na segunda parte da peça, aprofundam-se os dados psicológicos, elucidando o crime, configurando o cenário que precedeu a morte.
"Valsa nº 6" é uma pequena obra-prima de Nelson Rodrigues. Escrito em 1951, o monólogo coloca em cena uma série de elementos muito frequentes no mundo do autor. Com domínio absoluto da técnica dramática, são superadas aqui as limitações do monólogo, gênero que impõe pesadas e artificiais convenções a quem por ele se aventura. O texto é construído com frases curtas, que não se preocupam em explicar ao espectador o que está acontecendo. Aos poucos, na medida em que Sônia desvenda o mistério que a cerca, o público é informado da verdade.
A peça tem parentesco muito próximo com "Vestido de Noiva". De certa forma, "Valsa n° 6" é uma versão de câmara do clássico drama de Nelson. Assim como Alaíde, Sônia está agonizando. Aquela foi atropelada, esta, assassinada. A diferença básica está em que Alaíde contracena com as personagens de seu delírio, enquanto Sônia apenas as evoca. E materializam-se os pais repressores, a adolescente sensual, o noivo inacessível, o velho médico lúbrico, os vizinhos boateiros e maliciosos. Enfim, mesmo no monólogo, o universo do autor é posto no palco com a complexidade e a riqueza de observação que se encontra em seus grandes textos, como "Boca de Ouro" ou "A Falecida".
segunda-feira, 20 de abril de 2015
SPFW: Vitorino Campos
Quando eu vi o mood board do Vitorino, já sabia que ia gostar do
desfile. Ao encontra-lo no camarim, antes da apresentação, ele me
contou: “é o encontro de Patti Smith com Robert Mapplethorpe”. Eu, que
sou obcecada pelo livro “Apenas Garotos”, que Patti escreveu, fiquei
tentando enxergar nas roupas da arada onde estava Robert & Patti e
não encontrava…
Às vezes nos apegamos tanto a uma imagem que viramos prisioneiros e
buscamos o óbvio. Pois de óbvio não tem nada nessa coleção de Vitorino.
Tem a questão do gênero, tão forte neste momento da moda, e super
presente no estilo de Patti. A camisa branca é super presente e um dos
elementos chave da coleção, junto ao suéter e a t-shirt, que rendem as
melhores imagens do desfile.
O tricô rosa cropped já ganhou dona, a modelo Cris Herrmann, uma das
musas do estilista, que já usava o seu no dia seguinte ao desfile. A
camiseta preta, também cortada, usada por Vanessa Moreira é o look chave
da coleção e o mais importante para Vitorino. “É onde me vejo muito.
Tem uma simplicidade na t-shirt cortada e uma força ao mesmo tempo”. De
fato, é um momento que exala juventude, que pode tanto ser dos anos 70
quanto dos 90. Todas as peças são feitas em algodão e seda, ótimas
escolhas para o verão.
Apesar da androginia evidente (o modelo Goan Fragoso desfilou em meio
às meninas), há elementos ultrafemininos, como o uso da renda,
especialmente a azul, e dos bordados, feito por um estudante da escola
francesa Lesage, com nove técnicas de bordado em apenas uma tirinha. O
xadrez do vichy também evoca essa delicadeza, evoca infância e
inocência. “Essa cartela mais leve foi uma novidade pra mim”, ele conta.
E o que é a bolsa-lancheira? Pensada para o dia-a-dia, ela é térmica e
atende também as mulheres que, cada vez mais vezes, optam por levar
comida de casa para o trabalho. Aliás, bem atual essa abordagem, já que o
mercado do que antes a gente chamava de “tupperware” está cada vez mais
sofisticado.
Em seu sétimo desfile no SPFW, Vitorino e seu partner in crime, o
stylist Michael Vendola, mostram que estão dispostos a criar novos
desafios, evitando cair na mesmice. (CAMILA YAHN)
domingo, 19 de abril de 2015
Filmes Fashions
A clássica música do Duran Duran dá nome e faz a trilha deste vídeo produzido por Inez Van Lamsweerde e Vinoodh Matadin comemorando os 90 anos da "Vogue Paris" e o lançamento do app da revista para iPad. Pura celebração de moda, mostra os bastidores de uma glamourosa superprodução de moda. Flertando com a linguagem dos videoclipes, conta com as modelos Isabeli Fontana, Anja Rubik e Natasha Poly, no casting, e com a editora da revista, Emmanuelle Alt, no styling. Luxo!
O próprio Karl Lagerfeld em si assina este vídeo em parceria com o diretor e fotógrafo Barnaby Roper. O título sugere tanto a nova mistura da moda quanto um remix musical, e o cruzamento entre os universos da moda e da música se confirma nas cenas em que tops como Anja Rubik, Saskia de Braw e Sui He exibem os looks da coleção em looping, enquanto Lagerfeld representa o DJ/criador deste mix.
Com fotografia de Steven Meisel, esta campanha da marca francesa Lanvin virou hit entre fashionistas pela sua despretensiosa ... cara de pau. Ao som de "I know you want me", aquele hit do Pitbull do verão passado (época em que o vídeo foi lançado), as tops Karen Elson, Raquel Zimmermann e dois meninos ensaiam uma divertida coreô para a música _ usando os looks daquela estação. Uma participação ultraespecial de Alber Elbaz, o diretor criativo da Lanvin, coroa o final e reforça um dos principais fundamentos da moda: divertir-se é preciso!
Até as atrizes de Hollywood (quem diria?) têm seus dias de fúria neste divertido e bem-humorado curta, dirigido por John Cameron Mitchell ("Hedwig" e "Shortbus"). Aqui, Marion Cotillard vive uma diva do cinema em crise com a nada fácil vida de estrela. Entre limusines, champanhe, cabeleireiros e stylist tagarelas, a protagonista resolve, literalmente, jogar tudo para o alto.
Fã do uso do vídeo como ferramenta de moda, o inglês parceiro de Melissa usa o formato para apresentar ao público sua coleção do inverno 2009. Com vocação conceitual, drama, geometria, volumes e PB dão o tom aqui, revelando o universo criativo do estilista.
Gravado na sala dos espelhos, no Palácio de Versailles, e dirigido pela badalada dupla de fotógrafos Inez van Lamsweerde e Vinoodh Matadin, este vídeo foi visto mais de 6 milhões de vezes no Youtube. O cenário de tirar o fôlego, o casting belíssimo, em roupas luxuosas e a trilha ao som da clássica "Enjoy the silence", do Depeche Mode, formam um conjunto inspirador - e verdadeiramente histórico.
Rússia, Muralha da China, Taj Mahal, Grand Palais, Museu do Louvre, cavalos, um dragão chinês e , claro, a pantera (ícone da marca) surgem nessa superprodução de pegada épica que marcou os 163 anos da joalheria Cartier. Dirigido pelo premiado multiartista francês Bruno Aveillan, o filme levou dois anos para ficar pronto, foi exibido em TV aberta, em cinemas e arrematou mais de 16 milhões de views no youtube.
Marca mais jovem comandada por Miuccia Prada, a Miu Miu lançou um projeto de cinema para chamar de seu, o "women´s tales" (algo como "Fábulas de Mulheres"), em que convida diferentes diretoras de cinema para interpretar o universo da marca sob uma ótica feminina. Neste primeiro filme da série _ gravado no tradicional hotel Claridge´s, em Londres _ , a norte -americana Zoe Cassavetes lança um olhar intimista sobre um universo de beleza, luxo e feminilidade.
Prova de que boas idéias não precisam de superproduções, este vídeo entretém ao mesmo tempo em que apresenta a cartela de cores dos desejados esmaltes Chanel. Com uma elaborada coreografia de mãos e dedinhos de unhas muito bem feitinhas, simula um "A Chorus Line" damarca, meio cabaré, em que as "dançarinas" executam um cancan e balançam sobre colares de pérolas, um ícone da grife. Superfofo, supercool!
SPFW: Amapô
A sala de desfile estava lotadíssima para o desfile da Amapô. Já é
uma cena normal aqui no SPFW. Carô Gold e Pitty Taliano são as rainhas
do hi-energy: sempre mostram coleções divertidas, vibrantes, originais,
irônicas e bem-humoradas. Só o grupo de referências já dava a pista:
como misturar Barbarella, Miami, ginástica aeróbica e David Bowie. Ah, e
na trilha, alguns hits da preparada Anitta. Só mesmo na Amapô a gente
vê tudo junto e bagunçado, mas de uma forma muita característica delas.
O foco é o jeanswear, com ótimos momentos em neon. Como sempre, cor é
um elemento importante nas coleções da Amapô e aqui a marca trabalha
muito com o neon, que aparece em peças como jaquetas, ou em vários tons
misturados na estampa 80’s de raios. Há sempre os “looks statement”,
como as jaquetas recortadíssimas e com correntes, muito boas. Ótimas
peças em moletom e sarja e biquínis e maiôs para parar a praia e a
noitada. Mesmo com o tom de deboche, a coleção tem seu glamour e é sexy
em alta voltagem.
A proposta é quase unissex para os meninos, com muito cor-de-rosa,
jaquetas e shorts curtos, com peças usáveis e que ao mesmo tempo saem do
lugar comum para o guarda-roupa masculino.
É caótico, fun, totalmente – deliciosamente – Amapô, sempre com novas
ideias de roupas para o dia-a-dia. É sobre conforto, acesso, diversão
com amigos, juventude e bafo. Conversas de corredor dizem que a trilha é
um recadinho para quem insiste em imitar algumas peças da marca. Isso
deveria, na verdade, soar como um elogio ao trabalho da dupla, que tem
conseguido manter-se no caminho certo e está melhor e mais afinada a
cada temporada. #showdaspoderosas
SPFW: Wagner Kallieno
Wagner Kallieno pegou da cartela de cores dos quadros de Joan Miró os
tons de sua coleção para o verão 2016, inspirada no artista surrealista
espanhol. As combinações de laranja, salmão e verde menta ou laranja e
lilás, tudo queimado, foram acompanhadas de recortes geométricos e
assimetrias nas saias e vestidos que também remetiam ao trabalho de
Miró, lembrando o recurso de diferenças de altura em seus móbiles ou as
figuras de suas pinturas.
Intercalada à parte colorida, o estilista apresentou uma boa série de
vestidos tipo chemise brancos, que seguiam o mesmo raciocínio de
assimetrias do resto dos looks. Novidade para a marca, os jeans aparecem
em looks totais com franjas na barra, como o vestido usado por Daiane
Conterato, e na calça flare de cintura alta, numa referência
aos anos 70, década que pontua o verão da grife com outros modelos
flaire e o perfume boho das franjas e dos tops leves e assimétricos.
(CAROLINA VASONE)
SPFW: Glória Coelho
A cura por meio das roupas. A ideia de Gloria Coelho é vender, junto
com sua moda, energias positivas. Por isso, decidiu imprimir palavras
inspiradoras como “amor”, “luz” e “proteção” nos forros de suas peças e
em camisetas usadas com sobreposições. A tipografia vem de obras de arte
gráficas e dialoga com o grafismo de seu verão 2016, que mescla
referências esportivas a alfaiataria e romance.
O material de ordem é o vinil, que aparece nos melhores looks da
coleção. São os vestidos com tiras de vinil, couro e tricô feitos
diretamente no corpo da modelo pela própria estilista e que fazem um
movimento que acaba num volume, remetendo às ondas do mar que levam ao
surf, um dos esportes eleitos por Gloria neste verão. Ele também aparece
nos macacões de neoprene com barras e golas de vinil, justinhos. Já a
fórmula 1, outra inspiração da designer, surge no vestido preto de vinil
com tiras aplicadas espaçadamente na base de tule, que remetem às
pistas de corrida e à velocidade. Tudo está há anos luz da literalidade,
e serve mais como ponto de partida criativo do que como característica a
ser rapidamente identificável na coleção. Referência mais evidente, os
anos 60 emprestam o vinil, a ideia do futurismo retrô dos looks
prateados em couro e o shape em A dos minivestidos.
As tiras de vários materiais aplicadas sobre o tule transparente,
dialogando com as faixas de couro nos blazers e calças dão o mood
gráfico geométrico do verão da grife, inclusive no vestido de noiva
criado especialmente para Ísis Valverde fechar o desfile.
A partir de agora, ainda, Gloria Coelho passa a assinar sua marca
apenas com a imagem da silhueta de um coelho, seu novo logo. (CAROLINA
VASONE)
SPFW: Apartamento 03
Um luxo impecavelmente zen. Em uma frase, assim é a coleção do verão
2016 da Apartamento 03, do estilista Luiz Claudio. Em sua segunda
participação no São Paulo Fashion Week, o mineiro mostrou a que veio:
oferecer roupas com acabamento primoroso, tecidos importantes e design
afiado para criar uma imagem de moda ao mesmo tempo clean e cheia de
detalhes complexos.
A pesquisa sobre a liturgia de várias religiões – tema que, segundo o
estilista, sempre o interessou – foi a referência usada nesta coleção.
Em busca da espiritualidade, Luiz Claudio chegou ao preto e branco para
inspirar paz, reflexão, renovação e introspecção. A seda, principal
tecido das roupas, aparece em babados sobrepostos geométricos, em
sobreposições de túnicas levíssimas com casacos que fazem alusão ao
paletó de smoking, nas camisas frescas. As amarrações, com efeito entre
laço e nó, na cintura das calças ou no meio dos vestidos, surgiu a
partir de muitas das roupas religiosas, que têm essa característica.
“Essa região do ventre é muito delicada, é uma parte do corpo que pede
proteção. Minha ideia é que essas amarrações abraçassem a pessoa”, conta
o designer.
A alfaiataria é base para boa parte da coleção, recheada ainda de
túnicas em diversas versões, bordados minúsculos e brilhantes nos
vestidos para a noite. Entre os looks preferidos do estilista, um se
destaca: a t-shirt de penas de pato, feita artesanalmente (como todos os
bordados das peças). “Sempre quis trabalhar com plumas e essa foi a
primeira vez. Deu o maior trabalho, mas adorei.” Amém. (CAROLINA VASONE)
SPFW: Fause Haten
“Hoje a grande celebridade é a cliente. Houve um tempo em que a
estrela era o estilista. Agora é a blogueira, que no final representa a
cliente. Por isso quis fazer uma apresentação mais real, não com uma
modelo jovem, mas com alguém que veste minhas roupas há anos”, conta
Fause Haten, sobre a performance no seu ateliê-loja em Pinheiros (SP),
que mostrou seu verão 2016 no corpo de Flávia Shayoun, cliente antiga do
estilista.
O raciocínio do designer acompanha o fenômeno das blogueiras de moda e
beleza, pessoas comuns que, com seu carisma, conquistaram uma grande
audiência e viraram protagonistas no mundo da moda. É o estilo e a
beleza dessas mulheres reais, com quem ele convive no dia a dia nas
provas de roupa no seu ateliê, portanto, que ele quis prestigiar. Não à
toa, a trilha sonora que antecedia a apresentação – Fause recepcionava
os convidados fazendo o acabamento de um vestido numa máquina de costura
– era uma gravação de conversas entre cliente e estilista durante uma
prova de roupa.
No palco/passarela, a platéia podia acompanhar Flavia sendo aprontada
por Fause e maquiada por Ricardo dos Anjos para, depois, ouvir a
descrição de cada roupa, realizada pelo estilista nos moldes dos
desfiles de moda de antigamente. Entre os 14 looks da coleção, os
vestidos de festa bordados com micropedaços de seda, canutilhos e
cristais se alternavam com as peças de moletom mais casuais que abriram a
apresentação, com shape de alfaiataria, estampa desenhada por Fause e
pontos de luz em detalhes bordados com cristais. A cada troca de roupa,
os fashionistas observavam impressionados a beleza daquela mulher de
mais de 50 anos, totalmente adequada a todas as criações que vestia.
Enfim, não é preciso ser eternamente jovem e magra para estar na moda.
Uma bela homenagem de Fause Haten a todos nós. Pessoas comuns, mas nem
tanto. (CAROLINA VASONE)
SPFW: Samuel Cirnansck
Lustres gigantes reproduziam um cenário clássico do cinema mundial:
o salão de baile do hotel do filme “O Iluminado” (1980), de Stanley
Kubrick. A referência vem da festa fantasma que o personagem de Jack
Nicholson vê numa das cenas, e que teria acontecido nos anos 20, época
na qual o estilista se inspira para criar sua coleção do verão 2016 e
comemorativa de seus 15 anos de carreira.
Especialista em criar vestidos de divas, é a série que cumpre o
prometido numa versão mais realista o grande destaque da coleção. Ela se
concentra na primeira parte do desfile, com os melhores e mais sexy
vestidos pretos, colados no corpo, delineando a silhueta, um com detalhe
de lapela de smoking, outro com franjas de canutilhos presas e recortes
com anquinhas de corset. O tubinho pretinho básico em jacquard também
funciona muito bem, assim como o vestido todo bordado preto e verde com
transparência, mídi e perto do corpo. (CAROLINA VASONE)
SPFW: Iódice
Vida longa a Simone Nunes no estilo da Iódice. Parte da ótima safra
de designers descobertos no Hot Spot em meados da primeira década dos
anos 2000 – da mesma época da Neon e da Amapô –, a estilista foi aposta
certeira de Waldemar Iódice, que assina com ela a coleção de passarela
da marca.
Em sua segunda temporada na marca, Simone imprime sua personalidade
com delicadeza. Esta é, aliás, a marca-registrada de seu trabalho.
Assim, a leitura que a dupla fez do Nordeste, embalada ao som de Caetano
Veloso, mostrou um verão 2016 suave nas cores puxadas para tons
terrosos, do rosa antigo ao amarelo queimado (dendê), o verde e o
tijolo, com estampas que remetiam aos florais de chita numa versão
esmaecida, com sacadas de design apuradas como os tops com amarrações no
peito, remetendo às amarrações de lenços usados na cabeça para carregar
água ou pelas baianas típicas, no detalhe da manga do casaco com
estampa floral rosa claro e verde, na bela pantalona de linho rústico e
cintura alta, com amarração.
A série de camisas florais com leve transparência merece destaque,
assim como as saias de tecido rústico e os vestidos de renda com forro
prateado. (CAROLINA VASONE)
SPFW: Têca por Helô Rocha
Para comemorar seus 10 anos de vida, a Têca mostra que está mais
forte do que nunca. Helô Rocha apresentou uma coleção impacto. É uma
daquelas coleções que não ficam no meio do caminho. À começar pela
inspiração poderosa que aborda o universo dos orixás e do candomblé.
Em vez de editar o desfile de forma crescente, ela faz o oposto e já
inicia com força na série de vestidos fluídos em preto e vermelho de
renda, babados e bordados.
Ao longo da apresentação, looks básicos misturavam-se a momentos mais
carregados com franjas, pedrarias, conchas, pérolas, rendas, bordados,
às vezes tudo em um mesmo look. E a sensação é a de que não poderia ser
diferente. Helô e o stylist Dani Ueda criam imagens fortes, poderosas e
sensuais. Sabe uma mulher que a gente evita olhar no olho? Que encanta e
amedronta ao mesmo tempo? Haviam algumas delas no desfile.
A renda branca, tão característica da Bahia, aparece lindamente em
vestidos fluídos e leves, dividindo espaço com outros materiais, como
nos últimos quatro looks, que fecham o desfile.
Recentemente, Helô mudou radicalmente a cor de seu cabelo, outro
gesto que revela coragem e ousadia. Como qualquer profissional, ela não
quer passar batido. O ponto é o quanto consegue impactar e manter a
chama acesa em meio a outros 39 desfiles e centenas de outras
distrações. Helô enfiou os dois pés na porta. Que venham os próximos 10
anos para a Têca. (CAMILA YAHN) #girlpower #blondeambition
SPFW: GIG Couture
Quando o tricô ganha design de moda, a técnica é elevada a um patamar
fashion irresistível. Vira um misto de experiência tátil de textura com
o shape que tem conforto e ao mesmo tempo caimento com desenho
contemporâneo e sacadas de estilo. Este é o caso do verão 2016 da GIG. A
estilista Gina Guerra foi buscar nos tons pastel das pinturas e na
arquitetura art noveau de Mackintosh, respectivamente, a cartela de
cores e as estampas, que incluem efeito tridimensional graças aos
volumes criados no próprio jacquard feito no tricô.
Os anos 50 aparecem em vestidos em tom de azul e rosa bebê e no verde
clarinho, com cintura marca e saia godê na canela, atualizados pelo
aspecto moderno de textura do tricô. No restante do verão, a referência
são os anos 60. Destaque para engenhosas sobressaias que fazem as vezes
de cauda de vestidos mais ajustados, como o rosa bebê com manga curta
triangular que abre o desfile. A manga triangular, curta ou um pouco
mais proeminente, tipo sino, também aparece bastante na coleção da
grife. Os conjuntos de pantalonas curtas com top combinando aparecem
tanto em versões de tons suaves como em cores mais fortes, como o verde
menta com o marrom. A alternância entre a fase pastel e a de tons
marcantes também garante um interessante equilíbrio à coleção, que
oferece romantismo do mais açucarado ao geométrico, graças tanto às
estampas quanto ao shape triangular dos tops e recortado das barras das
saias. (CAROLINA VASONE)
SPFW: Lenny Niemeyer
Lenny Niemeyer desfilou neste SPFW após muitos anos mostrando no Rio.
Ela sempre foi a rainha do lifestyle carioca, apesar de suas peças
serem usadas Brasil afora – ou porque não, mundo afora.
Nesta estação, notamos um aumento no número de roupas em relação ao
número de biquínis (7) e maiôs (14). Lenny é conhecida pela modelagem
impecável e novidadeira do beachwear, mas suas “saídas” de praia também
fazem sucesso e ganham as ruas das cidades.
Seu segredo está justamente em transpor tão bem o lifestyle da praia
em suas roupas, que nós temos vontade de usa-las também quando estamos
longe do mar e Lenny torna isso totalmente possível. A sensação “easy
breezy” e o conforto somam-se a modelagem, a inovação e a design.
Tanto que outros estilistas de primeiro time estavam na primeira
fila: Reinaldo Lourenço e Lino Villaventura olhavam atentamente as
criações de Lenny.
Nesta estação, ela olha para os clássicos bailes de carnaval, com sua
inocência e seu glamour. O desfile é dividido em cinco momentos:
Marinheiro, com listras branco e marinho e referências às redes;
Malandro, em que aparece a alfaiataria; Pierrô, com as peças mais
usáveis – e desejáveis – da coleção (lindas batas de algodão
texturizado); Carmen, em versão preto e branco com alguns detalhes de
flores e um bom trabalho com babados plissados; e por fim, chega a
quarta-feira de Cinzas, com texturas que remetem ao Carnaval, como
serpentina, que vemos nos looks de “penas” cortadas a laser e na organza
com tiras de paetê floral. Contemporâneo e de gosto refinadíssimo,
assim como a estilista.
Abram alas para o Bloco de Lenny. (CAMILA YAHN)
SPFW: Patricia Viera
É sempre impressionante ver como Patricia Viera consegue transformar o
couro no material que ela quiser. Muitas vezes é preciso tocar na peça
para descobrir que não se trata de algodão ou linho, por exemplo, caso
do vestido floral que abriu o desfile, leve, todo pintado à mão
por Kláucia Badaró com flores vermelhas e toques de azul e verde no
fundo branco. A artista assinou todas as estampas artesanais do verão
2016 de Patricia, inspirado na Costa Rica.
Graças à técnica de metamorfose do couro, o mood veranil
central-americano pôde ser traduzido com frescor numa coleção que trouxe
as paisagens do país no conjunto de saia godê e top cropped de fundo
branco, as flores em tom quente da primeira série da apresentação, os
tons terrosos naturais e os mosaicos locais representados por aplicações
de espelhos ora em formato de flor, como no vestido vermelho mídi justo
de alça, ora em pequenas bolinhas, caso do vestido amarelo queimado de
alça, cintura marcada e saia evasê na altura da canela.
Nesta estação, a estilista traz ainda duas novidades: o lançamento de
bodies recortados a laser, com franjas e efeito macramê e a estreia de
uma coleção-cápsula infantil para meninas de 1 a 6 anos. Tudo feito em
couro também, claro. (CAROLINA VASONE)
SPFW: Lino Villaventura
Lino Villaventura está de volta e os fashionistas que acham a vida
mais divertida com uma boa dose de drama e fantasia agradecem. Depois de
duas temporadas mais contida, a veia performática teatral do estilista
volta a pulsar, justamente no ano de comemoração de duas décadas de São
Paulo Fashion Week. Para celebrar tantos desfiles no evento, Lino
acrescentou ao seu verão 2016 vestidos e acessórios marcantes de
coleções passadas, a começar pelo look que abre o show, do verão de
1997, usado por Marina Dias naquela época e nesta quinta, com direito a
olho branco de lentes de contato e caminhar performático.
Com teto altíssimo e uma escadaria gigante que os modelos desciam
para entrar na passarela, o Museu Afro Brasil serviu com perfeição como
cenário para a teatralidade das roupas e atitude da marca. “É um jogo de
cena”, resume o estilista, que diz não se inspirar em nada em especial
para este verão. “Vou fazendo o que gosto.” Mesclada a acessórios como
sapatos masculinos do desfile de 1996 e a impressionante cabeça feita
com uma cobra naja de verdade, bordada com cristais e com o corpo
descendo pelas costas da modelo (apresentação de 2005), a coleção
reafirma a personalidade excêntrica sedutora da moda de Lino. As
nervuras, os bordados, o caimento assimétrico com bicos e a fluidez
remetem ao exotismo de culturas distantes, desconhecidas, talvez até
fictícias, como numa fábula estranhamente magnética. À dramaticidade da
imagem e da performance é agregado o know how artesanal e técnico do
designer, com peças muito bem acabadas, bordados delicados como os
filigranas de cristais, os devorês nas gazes e as aplicações sobre o
tule de seda. Destaque para a trilha sonora de Felipe Venâncio, que deu o
clima de viagem exótica e misteriosa à apresentação, com atrações que
incluíram atores na passarela, como Reynaldo Gianecchini, cobras
empalhadas e modelos de olhos vermelhos e brancos. (CAROLINA VASONE)
SPFW: Giuliana Romanno
Aos poucos as pessoas estão se dando conta de como o tempo está se
movendo freneticamente e o impacto disso no nosso dia-a-dia. A coleção
de Giuliana parte daí, da sensação de vida louca e necessidade de
refúgio. Ela olhou então pra Bahia, lugar onde descansa, para buscar
serenidade.
No mood board no camarim, diversas imagens de Caetano, Bethânia, que
transmitem aquela tranquilidade e malemolência baianas. Muitos tons de
azul são a primeira informação de uma atmosfera relax. Logo percebemos a
alfaiataria mais solta e descontraída, em seda e linho. As formas são
características do trabalho de Giuliana, com cinturas elevadas, recortes
e muitas fendas. Apesar da leveza e da roupa mais solta, tudo parece
milimetricamente pensado.
A cartela é composta de poucos tons; azul, branco e um amarelo que
ilumina são suficientes para compor a coleção. O azul que parece jeans,
na verdade é seda tingida. Outras peças também são do grupo “parece, mas
não é”, como o blazer colete, a saia calça, saia shorts e o blazer
poncho.
É uma coleção sofisticada, contemporânea e que mostra a evolução da
estilista dentro de sua própria estética. Vale um destaque para os
cabelos das modelos, que traduziam todo esse frescor de férias de verão
sem o aspecto ressecado do sal marinho. No desfile, no quarto andar do
Tomie Ohtake, as modelos apareciam no horizonte, na luz natural, com
aqueles cabelos ao vento e as roupas calmas, parecia uma cena em câmera
lenta. Que venha o verão!
quinta-feira, 16 de abril de 2015
SPFW: Collci
O
assunto da noite era Gisele. Depois de mais de uma dezena de desfiles
pela Colcci e 20 anos de carreira, a top model anunciou sua
aposentadoria oficial das passarelas. Comoção geral, transmissão ao vivo
do desfile no fim do Jornal Nacional, aglomeração na entrada da sala de
desfiles digna de shows de estrelas do rock. O gênero musical, aliás,
foi o tema anunciado para o Verão 2016 da grife. Sai Gisele, ficam as
roupas da marca, vendidas em centenas de pontos de venda pelo País.
Vamos a elas.
Além
da referência roqueira suavizada para o calor e batizada de “Flower
Punk”, um mix de shapes e propostas temáticas compôs a coleção da marca.
As bermudas de cintura alta, ora em jeans azul mais claro, ora em
jacquard encorpado, são boas opções para o verão. Em versão mais curta,
ora sugeriam romantismo ao estilo 70 como no look com shortinho e bata
floral pb com renda vazada tipo baby-doll, ora, no look seguinte,
apontavam para uma garota supercool que faz mix de estampas com o short
xadrez amarelo e preto combinado com a parka de poás em pb e camisa
cropped quadriculada. Na modelagem também houve alternância entre os
looks estruturados, caso do macacão de bermuda vermelho, preto e
acinzentado com desenho gráfico e mangas curtas tipo sino com print
pixelado e os leves e soltos, com rendas transparentes em vestidos como o
branco com o qual Gisele abriu o desfile e o preto mídi de manga curta
usado por Aline Weber.
Na
coleção masculina, bem representada por Sean O’Pry, o modelo número 1
do mundo, alfaiataria e humor fizeram casamento com final feliz com o
uso do xadrez tartan com print de oncinha em calças e blazers ajustados.
No fim da apresentação, uma despedida acalorada com modelos veteranas
como Fernanda Tavares, Ana Claudia Michels e Carol Ribeiro entrando na
passarela de jeans e camisetas em homenagem à top. (CAROLINA VASONE)
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