Nossa dica cultural é para os Cariocas, ou para quem passa pela Cidade Maravilhosa até 7 de Setembro de 2015. Chega ao CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), a exposição “Picasso e a Modernidade espanhola - Obras da Coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (em Madrid)”.
Picasso e a Modernidade Espanhola no CCBB
São 90 peças que mostram como Picasso transita entre a arte clássica, o surrealismo e outras correntes artísticas.
Mulheres de Avignon, 1907, Pablo Picasso
Para os que admiram ou estudam arte, a dica é identificar – através da organização temática das obras – a trajetória do artista:
- Obsessão pela figura feminina;
- Habilidade na criação de imagens por meio de figuras geométricas;
- Associação à figura do minotauro;
- Esboços e pinturas que serviram como
preparação para a “Guernica” (o tão conhecido monumental mural
antiguerra, que você confere abaixo!).
Guernica – Pablo Picasso
Todas estas referências visuais e cores já passaram por Florença, na Itália, e acaba de sair de cartaz em São Paulo.
Quem acaba de lançar seu Verão 2016 é a FARM. Cheia de cor, otimismo e alegria a coleção Futuro Feito a Mão “foi feita para emocionar” – segundo a diretora de estilo, Kátia Barros – como contou o adoroFARM!
A marca busca resgatar o que realmente importa e como o amor deve ser semeado nas futuras gerações,
movidas a um ritmo de vida desacelerado, sustentável e consciente. O
respeito a culturas e suas regionalidades, assim como à natureza, são
alguns dos drives da coleção. As peças resgatam valores como
originalidade e carinho, presentes em todo o processo: do criativo ao
produto final na loja.
Desde o início da trajetória da La Estampa, a FARM é mais do que uma
forte parceira e cliente, pode ser considerada família. Dividimos com
vocês algumas das peças (de lançamento!) fruto de mais um trabalho a 4 mãos, delicioso de fazer!
“Territórios da Moda” buscou compreender o setor da moda no
município do Rio, mapeando a atual situação do setor, sua importância
para a economia da cidade e as lacunas ocasionadas muitas vezes pelo
trabalho informal. Foram entrevistados representantes de 201 empresas, 151 facções e 255 costureiras externas. O
estudo faz parte do programa “Rio, capital da Indústria Criativa”, da
Prefeitura do Rio, na qual o objetivo é a geração de emprego e renda nos
setores de moda e design.
A Moda Carioca Ontem e Hoje O fato do Rio de Janeiro ainda pertencer à frente do resto do país por seu lifestyle, visto como único, faz com que os modismos encontrados aqui gerem grande admiração e aceitação. Uma
das mudanças anunciadas no estudo, é o fato de que em algumas décadas
passadas, a identidade da marca muitas vezes estava atrelada ao seu
criador ou estilista – que também era o empresário. Hoje, as marcas
possuem o lado administrativo independente, a também são representadas pelas equipes de criação. Isso conferiu uma perda de identidade
inicial. E, mesmo com toda essa mudança, a maioria das empresas deste
setor na cidade, ainda continuam sendo empresas familiares. Outra mudança que, particularmente acredito ser de um âmbito global, é a inserção das mídias sociais como uma forma de acompanhar o avanço das novas tecnologiais da informação.
Essa “digitalização” das marcas aparece como a mudança mais
significativa, visto que há poucas décadas isso não era uma realidade. A
criação de site oficial para expor e vender seus produtos, perfil em
redes sociais e até blogs (Farm como exemplo) onde tratam de assuntos do
lifestyle de seu público são as mudanças mas perceptíveis. Dessa forma, o empreendedor visa aproximar o produto-marca para o consumidor-cliente.
O estudo proporcionou uma divisão do mercado em setores:
Território Fashion: composta pelas marcas que estão
em torno das semanas de moda no país. Elas dão a “cara” da estética
carioca na modelagem, cores e estampas e já conquistaram seu público.
Para o crescimento dessas empresas, a produção terceirizada é um dos
principais fatores que geraram esse crescimento, uma forma que eles
enxergam em produzir em grande escala sem necessariamente contratar o
mesmo número de funcionários, além de fugir dos encargos tributários.
Territorio dos ateliês: é um circuito alternativo de
vestuário e, por suas características em comum, também fazem
parte empresas que fabricam calçados, acessórios, jóias e bolsas. Muitos
deles são domésticos tendo em um único local o escritório, a produção e
as vendas. O trabalho no geral, tem um caráter exclusivo e mais criativo,
pois possibilita uma produção em menor escala, proporcionando o uso do
artesanado e personalização da peça. E seu objetivo é esse mesmo: vender
em pouca quantidade mas com qualidade, conceito e exclusividade. No
entanto, uma das lacunas existentes nesse processo é a divulgação, o reconhecimento do trabalho e o escoamento da produção (podemos destacar O Mercado como um dos eventos que ajudam a divulgar esses pequenos empreendedores, já falei aqui).
Novos Territórios: engloba as fábricas,
confecções, facções, estamparias, lojas de ruas, de shopping,
costureira, estilistas, assistentes de estilos, etc. e qualquer outro
profissional que não está efetivamente presente no circuito fashion,
muitas vezes direcionadas para o público C e D e com uma forte presença na Zona Oeste da cidade. Por abrangir um grande número de profissionais, os modelos de negócio divide-se em dois, que compreende produção interna
(onde a marca realiza todas as etapas de produção. Uma marca pequena,
por exemplo, possui cerca de 16 funcionários no total) ou a produção terceirizada,
o que proporciona a opção da empresa trabalhar com diversos modos de
produção ou diversas confecções parceiras). O estudo apontou uma boa
relação da produção com a venda dos produtos. Ou seja, o
escoamento da produção é grande. São lojas de bancada, magazines, lojas
de rua e shopping voltadas para o público B e C e outras para o C e D.
Nessa categoria de mercado o estudo apontou uma mudança da classe C. Esses consumidores estão cada vez mais exigentes e demandam roupas de melhor qualidade.
Logo, as marcas estão tendo que se adequar. Em um panorama geral,
significa a criação de novas marcas e as que já existem estão crescendo
bem mais que marcas da zona sul carioca, área nobre da cidade.
O maior evento de cultura pop da América Latina. Produzido com carinho para toda família!
O Anime Friends é um dos maiores eventos multitemáticos de
entretenimento das Américas, presente há 12 anos no mercado. Atualmente,
o evento dá destaque para a chamada cultura geek e muitas famílias
que frequentam nosso evento todo ano. Em geral, apresentando aos seus
visitantes todas as novidades desse segmento, que cresce muito a cada
ano.
O primeiro Anime Friends aconteceu em 2003. Inicialmente, a convenção
era dedicada praticamente à cultura pop japonesa, focada em atender a
demanda de público gerada pela invasão dos quadrinhos e desenhos
japoneses no Brasil. Já nesta primeira edição, o evento recebeu 22 mil
pessoas em apenas 3 dias. Com o passar dos anos, novos nichos de
públicos foram sendo agregados. Hoje, o Anime Friends é um evento tanto
para aficionados pelo vasto mundo do entretenimento (games, música,
quadrinhos, animes, mangás, brinquedos, colecionáveis, etc), como um
programa para toda família.
O Anime Friends reúne mais de 120 mil pessoas por edição, que sempre
acontece nos meses de julho (período de férias escolares no Brasil) na
cidade de São Paulo.
A
cantora Andrea Dutra faz um relançamento afetivo do seu CD Jamba,
lançado em 2013, na casa de samba mais tradicional do Rio de Janeiro, o
Carioca da Gema. Apesar de já ter cantado na casa, vai ser a primeira
vez que Andrea leva seu samba jazz para esse reduto do samba de raiz,
onde há mais de dez anos tem ido cantar e aprender com os bambas de
todas as nações do samba. O repertório vai reunir os sambas
presentes no Jamba e grandes sambas que fazem parte do repertório da
cantora. Moacir Santos, Moacir Luz, Monarco e Ratinho, Aldir Blanc, João
Bosco, Nei Lopes e alguns bons sambas autorais de grandes novos
compositores como Fred Martins, Moyseis Marques, Zé Paulo Becker e dela
mesma.
Andrea Dutra - voz Paulo Malaguti Pauleira - piano Jefferson Lescowich - baixo Kleberson Caetano - bateria Bruno Barreto - percussão
O
Carioca da Gema fica na Rua Mem de Sá, 79, Lapa (tem vários
estacionamentos por perto, ponto de taxi na porta)- R$25,00 - Tel para
reserva: 2221-0043
O
Cineteatro continua recebendo parte da programação do do 15º Festival de
Inverno de Petrópolis/Dell’Arte e, esta semana, nos dias 15, 16 e 17 de julho,
o local abrigará os “Concertos ao Meio Dia”. O primeiro concerto começa com os
talentosos e jovens pianistas Ligia Moreno e João Elias, com obras de Schubert
à 4 mãos e a Suíte de Rachmaninoff opus 14 à 2 pianos,com versão orquestral (acompanhamento) de
Katia Balloussier na quarta-feira. No dia seguinte, Patrícia Glatz entra em
cena interpretando Schumann Daniel Burlet tocando Tchaikovsky, com versão
orquestral (acompanhamento) de Katia Balloussier. Encerrando a série, na sexta-feira,
Ligia Moreno retorna tocando Rachmaninoff 2 e, desta vez, com Aleyson Scopel,
interpretando Rachmaninoff 3.
A
entrada é franca e as senhas estarão disponíveis 1h antes de cada apresentação
no local. Pede-se a doação de um alimento não perecível para aCampanha da Solidariedade.
PROGRAMA
“Concertos ao Meio Dia” no Museu
Imperial
12h - 15 de julho, quarta-feira
Ligia Moreno e João Elias – Versão orquestral Katia
Balloussier
Exposição Fotográfica CENTENÁRIO DO PALHAÇO CAREQUINHA Théo Erthal Abertura 18 de julho de 2015 às 17h Visitação de 20 de julho a 15 de agosto de 2015 Segunda a sexta, de 10h às 20h sébado de 10h às 17h
O remix (pra usar um termo contemporâneo) do moderno e do antigo é o mote do trabalho de Raf Simons na Dior,
e provavelmente um dos motivos que o tornam tão revelante: ele empresta
técnicas, climas e materiais de diversas épocas pra transformá-los em
algo além. Quando chegam as coleções de alta-costura, isso é ainda mais evidente, já que entram em cena técnicas centenárias de ateliê. A obra clássica do pintor Hieronymus Bosch “O Jardim das Delícias” é o ponto de partida desse outono-inverno 2015/16, mas Simons continua sua viagem de referências passando por Impressionismo e pontilhismo (ora de bordado com pinceladas à mão, ora de microplumas coladas uma a uma em perfeccionismo de cair o queixo), medieval (alguém falou em “Game of Thrones“?), Belle Époque… E vai daí que o mantô é feito de pele, tweed e neoprene – a mistura é que dá a liga. A construção dos vestidos off-white, à camisolão, é das mais complexas, pra dar esse efeito fluido; é a tal simplicidade aparente que na verdade exigiu uma superconstrução. A silhueta ampla (especialmente nos maxicasacos) às vezes ganha um acinturado New Look – e repara no ombro arredondado, estruturado e ao mesmo tempo suave. Assimetrias e coletes bordados-enfeitados
fazem toda a diferença, deixando a produção mais atraente e glamourosa.
Quem diria que Simons já foi reconhecido como o estilista minimalista
por excelência? Máxi é mais – confira a galeria!
Durante o dia o sol escalda a areia. Ao se pôr lentamente, as dunas
deste deserto são iluminadas pelos seus múltiplos tons de laranja e
almendra. Sob a sombra das tendas de tecidos tramados sentimos a
primeira brisa do crepúsculo enquanto ouvimos o sussurro da areia
rastejando pelo chão. Ao contemplar o horizonte infinito, pensamos no
nada: é verão.
Permanentemente em trânsito, os Tuaregues são um
povo nômade que caminham pelo norte da África. São conhecidos por suas
vestimentas azuis, tingidas com extrato da planta "true indigo" que, por
serem naturais, com o tempo desbotam e mancham suas peles, e por isso
são comumente chamados de "blue people". Miscigenando suas tradições com
as influências locais que recebem das regiões com as quais interagem,
os Tuaregues desenvolveram uma cultura rica e diversificada
caracterizada pela presença decisiva das mulheres nos conselhos tribais.
A coleção Verão 2016 revê os processos manuais deste clã
nômade. Os amuletos dos tuaregues - baseados em pingentes de franjas - e
as cordas empregadas na armação de suas tendas no Saara também foram
incorporados à coleção, na forma de acabamentos e acessórios.
As estampas foram inspiradas em diferentes estilos, misturando paisley, poá, listras, batik, ikat e motivos arabescos.
A marca Cris Barros é uma referência no mercado de
moda feminina de luxo, amplamente reconhecida pela crítica, imprensa e
principalmente por suas clientes. As roupas aparentam simplicidade, mas
revelam riquezas de detalhes. Formas meticulosamente construídas em
moulage, e utilização de tecidos nobres com excelente caimento e
acabamentos perfeitos.
A marca oferece uma linha de produtos
completa para suas clientes, desde lingeries até vestidos de festa,
passando por sapatos, bolsas, carteiras, semi-joias, alfaiataria, moda
praia e moda dia. A linha está presente em sua loja própria na Oscar
Freire em São Paulo e na Daslu. No início de 2008 abrirá duas novas
lojas -- uma flagship em um dos locais mais nobres de São Paulo: a Rua
Vittorio Fasano, em frente ao Hotel Fasano; e a primeira loja em um
shopping center: Shopping Cidade Jardim, o mais novo e exclusivo de São
Paulo. Hoje a marca está presente em mais de 60 pontos de venda de alto
nível no Brasil e tem exportado cada vez mais peças para Europa, EUA,
Japão e Oriente Médio.
À frente da marca está a estilista
paulistana Cris Barros. Ela cria roupas que expressam seus sentimentos e
sua principal inspiração é o que está vivendo no momento da criação da
coleção. A designer soma a isso lembranças e referências de viagens,
pesquisas, pessoas e sua paixão pela moda e arte.
Cris é formada
em Desenho de Moda pela Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo, com
Mestrado em Moda pelo Instituto Marangoni em Milão. Na Itália, trabalhou
com o estilista Francês Stephan Janson, ex-braço direito de Yves Saint
Laurent. No Brasil ela trabalhou na Cia. Marítima e no marketing da
Zoomp. Esta experiência a levou a desenvolver seu plano de negócios para
a criação de sua própria linha de roupas e abrir sua empresa em 2002.
Para os apaixonados por moda, música e dança, o Solar
Marquesa de Santos (próximo ao Pateo do Collegio) em São Paulo,
apresenta a exposição Bailes do Brasil, que reúne um
acervo de imagem, som e vídeo que retrata diversos momentos de
celebração coletiva do Brasil com uma original abordagem de nossa
cultura por meio de um grande baile ao longo do tempo. A exposição
mapeia por uma cronologia fluida, desde a primeira República no final do
século 19 até os dias atuais, levando em consideração as relações entre
as três manifestações artísticas.
O genuíno espírito da Moda de
cada época pode ser percebido no registro do cotidiano, com suas forças
atuantes representadas a partir de imagens selecionadas de fotógrafos:
estrangeiros e brasileiros, renomados e jovens, regionais e urbanos.
Moda, Música e Dança se unem para capturar e embalar a cadência desses
muitos encontros e períodos.
A curadoria da exposição reflete
sobre influências e relevâncias, divididas em três atos. O Regionalismo
Pulsante destaca a produção cultural de raiz e além das cidades, a
partir dos sincretismos culturais regionais. A Metrópole Vibrante
evidencia a forte influência europeia em nossas tradições e costumes, a
clara distinção entre o erudito e o popular. A sala Globalização
Eletrizante destaca o diálogo que passa a existir entre a afirmação de
nossa brasilidade, suas confluências, com as afirmações de distintas
identidades mundiais.
Os curadores Ricardo Feldman e Jum Nakao
selecionaram mais de 200 fotos de profissionais nacionais e
internacionais, a partir do acervo de instituições públicas e privadas,
como Thomaz Farkas, Vania Toledo, Luiz Carlos Barreto, Otto Stupakoff,
Maureen Bisilliat e Pierre Verger. A seleção musical produzida a partir
de pesquisa sobre aspectos rítmicos brasileiros contribui para a imersão
sinestésica dos visitantes. A mostra oferece também, três
videoinstalações com figurinos escolhidos exclusivamente por Jum Nakao
para esses ambientes.
Em parceria com o Museu da Cidade de São
Paulo, a exposição Bailes do Brasil é patrocinada pela C&A, maior
rede de varejo de moda do País, por meio da lei de incentivo estadual de
cultura - PROAC.
A artista Luciane Valença nos convida a uma viagem cósmica
As
árvores em muitas culturas são carregadas de simbolismo e
religiosidade. Para a maioria dos povos da Mesoamérica ela representava a
Via Láctea através da Árvore do Mundo, símbolo maia da criação e da
organização da ordem do mundo como os dias e as noites. Luciane Valença
nos propõe um paralelo entre a gestação do homem e sua manutenção, até a
sobrevivência por meio dessa diversidade.
Possuímos
uma espinha dorsal que lembra um tronco, braços que parecem galhos, e
cabelos que lembram folhas. Crescemos em direção à luz, da mesma forma
que os galhos da árvore esticam-se em direção ao sol. É isso que diz Luciane Valença, que expõe suas obras no Instituto Cultural Germânico
de 2 de julho a 01 de agosto. Na exposição "Cósmicas", ela busca
dialogar com o público sobre a conscientização ambiental, o respeito
entre gêneros e a gratidão com o universo.
Suas
influências, perceptíveis em seus traços, decorrem de um estilo de
vida. Criando um estilo único, onde suas cores saltam em curvas. Sempre
misturando o mesmo traço do pincel em matizes que parecem não ter um
começo ou fim, demarcadas por linhas firmes e contrastes de luz e tons.
Figurações e histórias que nos convidam a uma realidade fantástica de um
mundo muito particular. Luciane Valença traz aos amantes da boa pintura
novidades maturadas advindas de inspirações, aspirações, desejos,
idiossincrasias e emoções próprias. Faz parte de uma geração de
talentosos artistas dispostos a se entregar em revolução estética com
intento único de demolir comodidade na criação.
“A
humanidade forma a ponte entre a Mãe Terra e a Nação do Céu, e nós,
assim como as árvores, pertencemos a estes dois mundos. Para conseguir
este equilíbrio, devemos viver em harmonia."
Serviço:
"Cósmicas"
Abertura: 03 de julho às 19h
Visitação: 03 de julho a 01 de agosto
Segunda a sexta 15h às 20h
Sábado 11h às 16h
Entrada gratuita
Local: ICG Icaraí - Av. Sete de Setembro, 131. Icaraí. Niterói/RJ.
Moda nos EUA e Europa, apresentações em lugares
pequenos para poucas pessoas virou tendência no Brasil através de
iniciativas como o Sofar e casas como o Orb, em São Paulo. "A gente está
de saco cheio de show grande", afirma diretor
Quem
frequenta shows esgotados tanto em festivais como em clubes sabe que,
por melhor que o show seja, algumas coisas sempre vão incomodar.
Tem empurra-empurra, comprar cerveja é um drama, e todo show tem
aquele grupinho que adora conversar enquanto a banda está tocando sua
música favorita. Cansados disso, artistas, produtores e donos de casas
de shows decidiram importar para o Brasil uma tendência que já é forte
nos Estados Unidos e Europa: as apresentações para poucos em salas de
estar.
O conceito é exatamente o que o nome indica: o artista
entra em uma sala de estar para fazer um show intimista para cerca de 20
ou 30 fãs. A modalidade já vem crescendo principalmente entre as bandas
folk norte-americanas e ganhou muitos adeptos no Brasil, inclusive a
banda Apanhador Só, que quer fazer uma turnê pelo país só nesse formato.
Por aqui, o pioneiro em shows nesse formato é o Sofar,
projeto londrino que chegou a São Paulo em 2012 através de Dilson
Laguna e Fernando Remiggi. De lá para cá, os sócios já fizeram mais de
50 eventos em 10 capitais brasileiras. "O público fica muito admirado
por estar tão próximo dos artistas", disse Remiggi em entrevista ao iG.
O
Sofar busca lugares inusitados para colocar as bandas em shows bem
intimistas. Os endereços só são divulgados horas antes das
apresentações, com uma lista de convidados reduzida a quem se inscreveu
para ver os shows antes mesmo das bandas serem anunciadas. "Já fizemos
edições em salão de cabeleireiro, barbearia, atelie, espaços culturais,
lojas de roupas, casas de pessoas, galeria de arte", lembrou o
empresário.
Em São Paulo, alguns lugares estão se especializando
nessa modalidade de apresentação. É o caso do Orb, que fica na zona
oeste da capital paulista e promove shows para cerca de 30 pessoas em
seu sofá. "É um outro tipo de proposta, são shows fora do comum", disse
Eduardo Ramos, diretor artístico da casa.
Apesar de ser uma das
referências para esses shows de sala de estar, o Orb, que está na ativa
há cerca de seis meses, é bem conhecido por suas festas de música
eletrônica. "É engraçado ver esse encontro de quem nos conhece pelas
festas de música eletrônica com esse tipo de show. São duas coisas
opostas, mas que fluem naturalmente", explicou.
Uma das bandas que
já participou dos shows no sofá do Orb é a Atalhos, grupo folk do
interior de São Paulo, e o saldo foi bem positivo. "É fantástico, é uma
experiência nova", disse o vocalista Gabriel Soares.
Para o músico, o principal ponto desse tipo de apresentação é a
proximidade com o público. "Tem menos gente, mas as pessoas que estão
ali estão prestando atenção. Para o músico, isso é importante",
explicou. "Às vezes vale mais uma plateia pequena que está prestando
atenção do que um público grande que passa o show no bar."
Se por
um lado os shows intimistas criam uma relação de proximidade com a
plateia, eles também demandam mais atenção e concentração ao artista.
"Se não tiver ensaio, vai dar na cara, está todo mundo ali perto. No
show grande, dá até pra esconder", disse.
O lado financeiro também é um fator positivo para esse tipo de show.
"Compensa mais do que fechar uma casa para fazer show. O dono da casa só
quer saber se vai dar lucro e nem bandas grandes independentes
conseguem lotar as apresentações", disse.
Com tanto apoio de público e artistas, iniciativas
como as do Orb e do Sofar vêm dando cada vez mais resultado no Brasil.
"Hoje o Sofar Sounds é a maior plataforma de música independente do
mundo. A exposição que damos pra essas bandas é muito grande, elas têm
uma visibilidade que nenhuma plataforma conseguiria mostrar em rede
mundial", disse Fernando Remiggi. Tanto que o Sofar já tem seis eventos
marcados em cinco capitais brasileiras só neste mês, além de um festival
secreto planejado para este ano.
Mais do que uma tendência, os
shows em salas de estar são uma reação ao formato tradicional de shows.
"Quando você vê um show em uma boate, 40% das pessoas estão com um
celular na mão, nem aí pra banda tocando", disse Eduardo Ramos. "Esse
tipo de iniciativa é uma reação, é uma experiência artística real. A
gente está de saco cheio de show grande", resumiu o diretor do Orb.
A DOR NA VOZ - Billie Holiday (à dir.) e José James (à esq.): fã de rock
e de rap na adolescência, ele se identificou com as histórias trágicas
contadas nas letras da cantora americana(Bradley Smith/Corbis/LatinStock;/Divulgação)
Na semana em que se comemora o centenário de seu nascimento, dois tributos mostram porque Billie Holiday foi a principal inovadora do jazz em todos os tempos
Billie Holiday foi a maior cantora de jazz de todos os tempos? Sem
sombra de dúvida. Eleanora Fagan (seu verdadeiro nome) não possuía a
maleabilidade de Ella Fitzgerald ou a voz arrasa-quarteirão de Sarah
Vaughan, só para ficar em duas de suas "rivais" mais celebradas. Soube,
no entanto, usar com inteligência sua voz frágil e de pequeno alcance.
Como bem observado pelo crítico alemão Joachim E. Berendt, ela
personificou o conhecimento de que, no jazz, importa menos "o quê" e
mais "como". Billie abraçou com entusiasmo a chegada do microfone (que
amplificou sua voz e ressaltou a sutileza e a dramaticidade de suas
interpretações) e soube como poucas modular suas canções: acentuava
certas palavras ou sílabas para atingir um determinado efeito, acelerava
baladas, diminuía o andamento de canções rápidas - opções estéticas que
influenciaram infindáveis gerações de cantoras. "Sou herdeira do canto
de Billie, embora nossos registros vocais sejam muito diferentes",
confessa Cassandra Wilson, uma contralto de registro firme e caloroso.
Nesta semana chega às lojas Coming Forth by Day, que contém onze canções do repertório de Billie e uma composição de autoria de Cassandra: Last Song (For Lester),
que faz referência ao triste episódio em que Lady Day, como Billie era
chamada, foi impedida de cantar no velório de seu mentor, o saxofonista
Lester Young. Coming Forth by Day faz companhia a outra homenagem, Yesterday I Had the Blues: The Music of Billie Holiday,
no qual José James, cantor inspirado pelo jazz e pelo rap, recria nove
canções de Billie acompanhado por um trio estelar (ambos os discos serão
lançados no Brasil apenas em versão digital).
Em princípio, é fácil organizar um tributo a Billie Holiday. É só
recrutar um maestro consagrado que escreva arranjos pomposos e chamar
uma orquestra de renome para executar as canções de maneira reverente.
Mas esse estratagema, tão comum em projetos revisionistas como os da
cantora e pianista canadense Diana Krall, é uma traição aos princípios
musicais de Lady Day. Billie foi uma grande revolucionária de seu tempo:
não só criou o canto moderno, mas também foi a primeira a ressaltar a
importância do saxofone tenor no jazz. Mais do que uma parceria, as
canções que gravou com o saxofonista Lester Young são uma simbiose da
parte vocal com a instrumental. "Nunca quis imitá-la, mas sim adaptar
seu sentimento e sua musicalidade para o século XXI", teoriza Cassandra.
Em seus álbuns anteriores, a cantora nascida no Mississippi verteu
composições de Neil Young, U2 e até Monkees para o mundo do jazz. Em Coming Forth by Day,
ela levou o universo jazzístico de Billie Holiday para o rock.
Cassandra cercou-se de músicos dos Bad Seeds (banda de apoio do roqueiro
australiano Nick Cave) e dos Yeah Yeah Yeahs (o guitarrista Nick
Zinner, um expert na arte dos ruídos), além do veterano T-Bone Burnett e
do arranjador Van Dyke Parks. Os efeitos mais perceptíveis dessa
mutação estão em Strange Fruit, hino antirracismo de 1939.
Vinte anos atrás, Cassandra gravou uma versão em que se destacavam o
contrabaixo e um ruidoso solo de trompete. A atual possui um arranjo
repleto de efeitos, que acentua a barbaridade descrita na letra sobre o
assassinato e enforcamento de jovens negros.
A biografia de Billie é um prato cheio de tragédias: miséria,
estupros, abusos por parte da mãe, dos líderes das bandas nas quais era
vocalista e dos maridos desonestos e infiéis. Enamorou-se da bebida e da
heroína, que acabaram por matá-la em 17 de julho de 1959, aos 44 anos.
Fã de rock e de rap, José James apaixonou-se cedo pela voz de Billie.
"Adolescentes fazem drama por qualquer coisa, e a voz dela foi o meu
refúgio durante esses períodos de tristeza", diz. Conhecido por mesclar o
jazz com o rap e a soul music, James optou por uma formação ortodoxa
para Yesterday I Had the Blues: o pianista Jason Moran, o
baixista John Patitucci e o baterista Eric Harland o acompanham nas nove
faixas do tributo. O clima do álbum, porém, é vanguardista. Entre as
liberdades tomadas estão um God Bless the Child com instrumentos elétricos e, novamente, Strange Fruit.
Aqui, James sobrepõe várias vozes, dando a impressão de que não apenas
ele, mas diversas almas lamentam os "corpos negros que balançam à brisa
do Sul". Cassandra Wilson e José James são dois intérpretes que, a
exemplo de Billie, não têm paciência com a banalidade. "A melhor lição
que ela e o jazz nos deram foi seguir sempre em frente, numa constante
evolução", encerra Cassandra.