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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Exposição: Escritas Insignificantes - Centro de Artes Uff




















A poesia é aquilo que faz a escrita regressar até o lugar de ilegibilidade de onde provém, aonde ela continua se dirigindo (Giorgio Agamben).
Por que a poesia/ arte contemporânea parece muitas vezes estar mais próxima dos grafismos deixados há milhares de anos por Cro-Magnons e Neandertais do que dos grandes monumentos da "cultura ocidental" ?
Parece haver um campo de forças entre a nossa sensibilidade e a pré-história da escrita, o instante em que primatas evoluídos começam a ttraçar  ou gravar formas abstratas e rítimicas nas pedras e em ossos de ggrandes animais. (Escrita:  scribo, scribere:  marrcar com estilo - ponteiro ou haste de metal. Daí nosso estilete).

(...)
Viesse
viesse um homem
viesse um homem ao mundo, hoje, com
a barba de luz dos
Patriarcas:  ele poderia
se falasse ele deste
tempo, ele
poderia
apenas gaguejar e gaguejar
sempre - , sempre -,
continuamente.
(Pallaksch, Pallaksch)
Paul Celan (tradução Leila Danziger).

O que pensar? por um lado vivenciamos o ffracasso da comunicação humana (da babel bíblica à bárbárie produzida diariamente:  terrorismo, grandes muros). 
por outro, a impossibilidade de calar o  testemunho (até o silêncio é tagarela).
Entre dois extremos, duas coerçõees - uma que obriga à fala; outra que a proíbe - a eclosão de um paroxismo, choque elétrico, a deriva (atopia) do gozo. Têxtase.
Não um acesso ao sentido, mas um acesso de sentido (Jean-Luc Nancy)
Este pode ser o texto da exposição:  sua textura.
por um lado, claro, há proliferação de significados.
As escritas tem nome, tem tonalidades, tem (em suma) um ritmo.
Transcrevemos apaixonadamente um ritmo encouraçado pelo segredo das sensações das coisas (Arturo Carrera).
Por outro lado há mutilação, diluição, apagamento:   palavra inter-dita. Rastros do insignificante. Insignificante onde atuam as  duas possibilidades prevvistas pela gramática, a de negação e a de inclusão; de não-significante e de dentro-do-significante.
De toda a piração (queima) que nos trouxe até aqui, o que se oferenda é a repetição de um gesto, o peso da mão, o trabalho de um músculo no tempo.
Entre estas ou estes artistas há tantos nexos quanto singularidades. Mas, antes que o nosso pungente desejo de decifração nos leve a mentar sedutoras analogias, restitua-se à escrita um corpo erótico:  que a esfinge (imagem viva) nos devore.
Não sou eu precisamente aquilo que escapa à minha própria leitura? (Roland Barthes).

Curadoria: Marcelo Reis de Mello
Local:  Centro de Artes Uff
Artistas:  Amanda Rocha, Ana Hupe, Karla Gravina, Khalil Andreozzi, Leila Danziger, Malu Pessoa Loeb, Nina Papaconstantinou, Rafa Éis, Rosana Ricalde e Vera Bernardes.



Exposição : Indagações e atravessamentos - Roberto Muller

























A presente mootra explora situações cotidianas, relatos e fatos comuns ao indivíduo, observados e aqui traduzidos em outra roupagem.
Podemos ver que ocorre a apropriação de questões e atravessamentos sociais, políticos e culturais, que aqui são reconfigurados na forma de objetos.
A pesquisa é baseada no estabelecimento de relações através de observações do cotidiano, e algumas vezes partindo de questionamentos  sociais e outros  fatos que possam ser relacionados, contando muitas vezes com o apoio da imagem e ambém estabelecendo relação entre a grafia das palavras, agregando outra gama de sentidoao pensamento.
A partir daí, se dá a escolha dos materiais, onde as próprias obbras acabam por determinar sua própria escala e seu acabamento final; o discurso  de cada objeto é que conduz ao suporte a ser construído e utilizado.
Assim, citações, acúmulo de imagem e utilização de materiais corriqueiros são ressignificados para além de simples objetos do cotidiano e tornam-se materiais apurados.
O objetivo é apresentar uma narrativa composta a partir de imagnes (fotográficasou não) e muitas vezescom a presença da linguagem escrita, expondo sempre um fundamento conceitual.
Os trabalhos por fim, extrapolam limites convencinais, incorporando  mais de um elemento  e matéria prima na busca da contaminação com outros suportes, através de sua construção.
A lógica se dá na tentativa  de abordar os problemas comuns e tão urgentes sem lhe s  propor uma solução, mas articulando-os em outros  contextos, para que talvez possamos  enxergá-los e discutí-los a partir de outra perspectiva.

Local:  Galeria de Artes UFF

Exposição: Repensar o fato como se estivesse nele - Mirim Bratfisch Santiago














Miriam Bratfisch Santiago (Sorocaba, 1956), mora e trabalha em São Paulo. Cursando atualmente a pós-graduação em Práticas Artísticas Contemporâneas na Faap, começou a sua formação livre em artes visuais frequentando ateliês de artistas e orientadores como Sérgio Fingermann, Charles Watson, Nino Cais e Carla Chaim, fazendo parte de diversos grupos de studo e produção como o de Thiago Honório e Ana Paula Cohen, e do Instituto Tomie Ohtake, com Pedro França, Paulo Miyada, Galciane neves e Vitor Cesar.
Entre suas exposições destacam-se as individuais Rew<<>>Fwd, realizada pelo Projeto Mesmo Lugar, no espaço Qualcasa, do Hermes Artes Visuais (SP, 2016); Miriam Santiago, Pinturas, no Espaço Henfil de Cultura, da Secretaria de Eduação e Cultura de  São Bernardo do Campo (SP, 1997), e as coletivas 15 Salão de Arte Contemporânea de Guarulhos (SP, 2016); 23 Salão de Artes da Praia Grande (SP, 2016/2017); 48 Anual deArte  da Faap (SP, 2016); Contraprova, coletiva do Hermes Arte no Paço das Artes (SP, 2015), 6 Salão de Arte Contemporânea de São Bernardo do Campo (SP,  2006).
Recebeu o Prêmio Bolsa de Estudos na 48 Anual da Faap (SP, 2016); Menção Especial no 23 Salão de Artes da Praia Grande (SP, 2016); Prêmio Aquisição no 6 Salão de Arte Contemporânea de São Bernardo do Campo (SP, 2006) e o Prêmio Exposição individual no mesmo Salão.

Diante de acontecimentos que não contaram com nossa presença, a integridade do fato torna-se um insistente cálculo no juízo particular de nosso presente. Paira sobre a leitura  do que ocorreu a nativa vontade humana da decifração, desejo capaz de assemelhar  qualquer um de nós a uma criança prestes a ler pela primeira vez seu próprio nome. Ao estarmos diante de códigos, veremos sob os olhos de hoje tudo o que nos é ofertado desde a infância, atribuindo significação aos mínimos rabiscos e gestos em uma vida onde saber ler e escrever convoca nossas primeiras atribuições coletivas, sob a ordem dos direitos e deveres. Ao homem letrado, sucede um mundo xerocopiado, onde quase tudo pode ser posto no papel para ser lido depois; e assim criaram e admitiram os dez mandamentos, as ignoradas placas de ttrânsito, as embalagens do leite sem lactose, os classificados do jornal do bairro, os luminosos da Shell. Tudo crente no porvir.
Avistando uma fotografia que não nossa, corremos para as legendas e esquecemos que nem tudo chega por bula. Abro o álbum de minha família e appuro que o olhar d eum cidadão que não conheço se assemelha ao do meu avô de assombrada sobrancelha, a qual herdei. Suponho que o rapaz seja um irmão do meu querido velho, ou  um primo próximo, figurando em frentte a uma casa de reboco mais claro que o vestido de uma jovem senhora um tantinho distante que não tenho dúvidas ser minha avó. racejo uma linha da manga de seu vestido à primeira raiz saltadeirae graúda do pé de  árvore, pulo a vista por detrás da sombra de suacopa e  alcanço um quintal terroso de final dado por uma cerca baixa  de  estaca e arame. De suspensório, reparando um chão sem aparente motivo, está meu avô.
O passado produz pactos. Na andada da vista, creio parir meu avô naquela fotoggrafia por acreditar em minhas lembranças como um documento de palavras firmes, sem duvidar do que estou lendo,. Não vacilo pensar que seja outro homem que não ele, mesmo avistando-o de costas para a lente da câmera em seu registro. Meu avô, o mais oculto ponto de gente naquela imagem, celebra vitoriosamente minha memória como se eu fosse um menino novo semsaudades. Vencido o tempo, lá estou pedindo a  benção, ganhando e mascando caramelos e ouvindo sobre como cesci rápido.
Os trabalhos de Mirim Bratfisch Santiago impulsionam o delírio dos afetos resultantes ddas lembranças no momento que invadimos a imagem do outro e ccravamos nela a nossa herança. Quando roubamos o paletó de um sujeitoque está em suas aquarelas para vestirmos  um antigo parente, ou em caravana vamos todos  a  um casamento na casaque imaginamos ser aquela  do tio noivo em Ubatuba, rebatizamosa nós e o nosso lugar no intuito de  estarmos mais perto dos ausentes. As dedicatórias emparelhadas às pinturas de mesma dimensão incomodam  o acesso à certeza, mas não são suficientes para impor que o ente lembrado não esteve alguma vez no lugar descrito no verso da fotografia. Talvez meu avô nunca quis contar que passou férias no Rio, e talvez meus tios neguem isso, o que é bem diferente dele nunca ter ido lá.
Entre lembranças voluntárias e a vontade de  não querer esquecer, Mirim Bratfisch Santiago demarca em suas obras o nosso existir dos outros comouma gigantesca e crescente matéria, um corpo volátil que se espreme para  caber em uma única vida.

Curadoria e textos :  Allan Adi
Exposição de 6 de abril até 14  de maio 2017
Local:  Universidade Federal Fluminense
(Centro Artes Uff)

Dia dos Namorados na Reserva






Para o Dia dos Namorados, a Reserva criou uma coleção de almofadas e bolsas para espalhar o amor pela casa ou em qualquer lugar que você for. Frases como "Abrace em caso de saudade", "Me leva com você" ou "Com você, todo dia é dia!" são alguns dos exemplos. Mas também tem a opção de usar a criatividade e escolher a cor do produto, a letra, a imagem e o que escrever para a sua cara metade nesse dia especial. 

Faça Você sua almofada: 


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